Emprego formal cresce 35,5% em janeiro e é recorde

De acordo com ministro, há risco a médio prazo de haver um colapso de falta de trabalhadores qualificados

Adriana Fernandes, da Agência Estado,

19 de fevereiro de 2008 | 11h27

A economia brasileira gerou em janeiro 142.921 novos empregos com carteira assinada, segundo informou nesta terça-feira, 19, o Ministério do Trabalho, com base nos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). Esse resultado é recorde para meses de janeiro e confirma a manutenção da trajetória de crescimento expressivo do mercado de trabalho formal. O número de empregos com carteira assinada gerados em janeiro representa um crescimento de 35,51% ante o mesmo mês de 2007, quando foram criados 105.468 vagas. A série histórica do Caged começou em 1992. Extremamente otimista com a economia brasileira, o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, avalia que o Brasil está vivendo um ciclo econômico vitorioso com o aumento robusto da demanda interna. Na sua avaliação, esse aumento da demanda está impulsionando a geração de novos empregos formais. Ele previu para 2008 um aumento superior a 1,8 milhão de novos postos de trabalho. Tomando por base o período de 12 meses até janeiro, foram criados 1.654.845 postos de trabalho, uma expansão de 6,03% em relação ao período anterior. Entre 2003, início do governo Lula e 2008, foram gerados 6.411.689 postos de trabalho. Segundo o ministério, os dados de janeiro mostram uma expansão do emprego "quase generalizada". Os principais setores da atividade econômica, responsáveis pelo bom desempenho do emprego, foram indústria de transformação (59.045 postos); serviços (49.077 postos); e construção civil (38.643 vagas). O único setor que não mostrou crescimento foi o comércio, que teve queda de 14.144 empregos formais, em razão do efeito sazonal vinculado ao término de contratos realizados para atender ao aumento da demanda de final de ano.  De acordo com o ministério, o dinamismo do setor da indústria de transformação está relacionado ao aumento do número de emprego em todos os 12 ramos que integram o setor. Já o setor de agropecuária gerou 8.035 novos empregos. O ministro afirmou que os dados do Caged indicam que o Produto Interno Bruto (PIB) do País pode crescer 6% em 2008. Ele chegou a apostar com os jornalistas presentes na entrevista de divulgação dos dados que a sua previsão se confirmará ao final do ano.  Qualificação Lupi afirmou ainda que há risco a médio prazo de haver um colapso de falta de trabalhadores qualificados para atender a demanda das empresas. Segundo ele, em alguns setores econômicos já há esta falta de trabalhadores qualificados. "Mas o problema não chega ainda a ser um colapso". Ele citou como exemplo de setor com este problema a indústria siderúrgica. Para o ministro, o desafio será qualificar o trabalhador brasileiro e para isso o ministério tem um orçamento de R$ 800 milhões. Lupi disse acreditar que estes recursos não serão contingenciados em função da sua importância neste momento econômico. Ele informou que até o final deste mês, o Ministério do Trabalho vai assinar convênio com entidades do Sistema S para o programa de qualificação dos trabalhadores.

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