Emprego forte diminui aposta para decisão do Fed terça-feira

Maioria prevê um corte de 0,25 ponto da taxa básica de juros americana

Nalu Fernandes, O Estadao de S.Paulo

07 de dezembro de 2007 | 00h00

Após a divulgação do relatório de emprego dos Estados Unidos, grande parte dos analistas de instituições de Wall Street projeta um corte de 0,25 ponto porcentual do juro básico pelo Federal Reserve (Fed, o banco central americano), na reunião da próxima terça-feira. Eles também esperam uma redução de 0,5 ponto porcentual na taxa de redesconto (que é cobrada nos empréstimos do Fed ao sistema bancário) e um comunicado brando, que indique a continuidade da flexibilização monetária em 2008.A razão é que o relatório sobre evolução do emprego em novembro veio em um tom melhor do que os analistas esperavam, mas os pontos considerados mais delicados no relatório permanecem diretamente ligados ao enfraquecido setor de imóveis residenciais.Em novembro, o chamado payroll registrou criação de 94 mil postos de trabalho. No acumulado deste ano, o crescimento médio do número de vagas está pouco acima de 118 mil postos, estima o economista-sênior do RBC Capital Markets, Rishi Sondhi. O número fica abaixo da média de 189 mil vagas registrada em 2006 e está bem inferior à média de 212 mil postos apresentados em 2005. No entanto, na avaliação dos especialistas, o número médio em 2007 não está indicando uma economia em recessão.O economista-chefe da Standard and Poor?s para os EUA, David Wyss, estima que o Fed quer mostrar "suporte" ao mercado, principalmente após o plano anunciado pelo presidente George W. Bush, de congelamento do reajuste das taxas para certas classes de hipotecas.No entanto, diz o analista, o Fed quer evitar cortar o juro agressivamente de uma única vez. Assim, Wyss espera corte de 0,25 ponto na próxima semana. "Se nada mais der errado, o crescimento do país deve ficar letárgico, mas será evitada uma recessão", estima.Joseph LaVorgna, economista de renda fixa do Deutsche Bank, também acrescenta que "neste momento, a instituição não prevê uma recessão para os EUA". "O relatório divulgado hoje (ontem) indica que o mercado de trabalho do país ainda está firme. Por isso, é mais provável que o Fed corte 0,25 ponto", avalia. No próximo ano, o Fed deve manter cortes de 0,25 pontos, enquanto os mercados mostrarem mais calma, prevê LaVorgna.O diretor de pesquisa econômica para América do Norte da consultoria Global Insight, Nigel Gault, adverte que o crescimento de postos de trabalho deve "desacelerar substancialmente" nos próximos meses, à medida que o crescimento da economia perder velocidade, diante de maior declínio nos preços dos imóveis residenciais.Na inflação, o ganho médio por hora trabalhada desperta preocupação, avalia Wyss, da S&P. De acordo com o relatório divulgado ontem, o número avançou 0,5% em dezembro, depois de 0,1% no mês anterior, o maior ganho desde junho.No entanto, para o economista-chefe da Moody?s, John Lonski, "elevados riscos macroeconômicos indicam que o Fed deve ser mais tolerante em relação aos riscos de inflação". A prioridade do Fed, acredita o analista, será combater os perigos da deflação dos preços dos imóveis quando comparados aos riscos menores que podem vir de uma alta moderada da inflação dos preços aos consumidores.Para os analistas, os problemas mais agudos do relatório de emprego estão concentrados nas áreas diretamente ligadas ao mercado de imóveis residenciais.

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