Emprego industrial dá sinais de retomada após 9 quedas seguidas

Ocupação subiu 0,4% em julho em relação a junho, mas ainda está 7% abaixo da de julho do ano passado

Jacqueline Farid, O Estadao de S.Paulo

09 de setembro de 2009 | 00h00

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Após nove meses consecutivos de queda, o emprego industrial mostrou os primeiros sinais consistentes de reação em julho, quando a ocupação no setor aumentou 0,4% em relação a junho.

Na comparação com os ótimos resultados do ano passado, porém, o tombo prossegue. Comparado com julho de 2008, o número de ocupados na indústria caiu 7,0%, o pior resultado desde o início da série da pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2001.

O economista da coordenação de indústria do IBGE, André Macedo, explica que o balanço do mercado de trabalho do setor em julho é positivo, apesar da queda recorde comparativa ao ano passado. Ele lembra que a base de comparação de 2008 é muito elevada e destaca que o segundo semestre foi inaugurado com um sinal positivo que não se via há muitos meses.

"Os dados que comparam os resultados de 2009 com o ano passado não refletem a recuperação que já está ocorrendo na indústria após o ajuste intenso que foi feito no fim de 2008", observou. Apesar da reação, os dados acumulados na ocupação continuam negativos e o emprego industrial já atinge uma queda de 5,4% no ano e um recuo de 2,7% em 12 meses.

A avaliação de Macedo é que os dados de julho mostram uma influência positiva da reação da produção do setor sobre o mercado de trabalho.

Segundo o economista, "é preciso aguardar novas informações sobre como vai se dar esse ritmo de reação na produção e como isso vai rebater no mercado de trabalho". Ele lembra que a ocupação reflete de forma defasada a recuperação na produção industrial.

O efeito da base elevada de comparação do ano passado sobre os resultados de 2009 está claro nos resultados setoriais. Macedo exemplifica que os mesmos segmentos que puxaram para cima o emprego no ano passado - como material de transporte (indústria automobilística e autopeças, com queda de 12,9% ante julho de 2008) e máquinas e equipamentos (-12,3%) - estão exercendo o principal impacto negativo sobre o mercado de trabalho industrial este ano.

O IBGE não detalha setorialmente os resultados comparativos a mês anterior e, portanto, não há como saber quais setores garantiram o aumento de 0,4% em julho ante o mês anterior.

SALÁRIOS

A folha de pagamento real da indústria, equivalente à massa salarial do setor, registrou alta de 0,1% em julho ante o mês anterior, invertendo a queda de 1,7% apurada em junho ante maio.

Macedo avalia que a massa salarial do setor está acompanhando a melhoria no emprego, mas ressalta que dificilmente haverá aumento mais significativo na folha enquanto não houver uma reação mais forte no emprego e mais poder de barganha dos trabalhadores nas negociações.

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