Emprego industrial fica estável no mês, mas cresce no semestre

O nível de emprego na indústria paulista ficou estável em junho, em relação a maio, oscilando apenas 0,02%, de acordo dado divulgado nesta segunda-feira pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Assim, foram criadas 500 vagas no período. Apesar disso, no acumulado do primeiro semestre o crescimento está em 3,65%, resultando na geração de 75 mil postos. O volume do acumulado leva em consideração a quantidade de postos gerados a partir de janeiro, não sendo comparável aos primeiros seis meses do ano passado. Recentemente, a Fiesp alterou a metodologia de produção do levantamento. Pelo mesmo motivo, os porcentuais informados não contêm ajuste sazonal, uma vez que a base de dados é muito recente.Se considerada a metodologia anterior, sem base a comparativa atual, em junho de 2005, o nível de emprego da indústria paulista havia crescido 0,28%. Em 2006, o desempenho de junho é o pior do ano, ficando atrás, inclusive, de fevereiro, quando a variação foi de 0,25% e 5 mil ocupações foram criadas.Desempenho Conforme avaliação de desempenho por setor econômico, a Fiesp identificou que nove tiveram desempenho negativo; seis, positivo; e outros seis, estabilidade. Os setores que mais contrataram foram o de Fabricação de Máquinas para Escritório e Equipamentos de Informática, com alta de 6,17%; Fabricação de Coque, Refino de Petróleo, Elaboração de Combustíveis Nucleares e Produção de Álcool (3,34%); Confecção de Artigos do Vestuário e Acessórios (1,35%); Fabricação de Máquinas, Aparelhos e Materiais Elétricos (0,5%); e Fabricação de Artigos de Borracha e Plástico (0,42%). Os principais cortes foram notados nos setores de Preparação de Couro e Fabricação de Artefatos de Couro, Artigos de Viagem e Calçados (-1,89%); Fabricação de Produtos de Madeira (-1,69%), Equipamentos de Comunicações (-0,71%); Fabricação de Produtos de Minerais Não-Metálicos (-0,53%); e Fabricação de Outros Equipamentos de Transportes (-0,53%).Sindicato Por sindicato, as maiores variações mensais positivas de junho ficaram com Congelados e Supercongelados (8,97%); Fundição (1,57%); Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), com 1,51%; Massas Alimentícias (1,31%); e Mármores (1,11%). As variações negativas mais expressivas foram verificadas em Doces e Conservas (-2,53%); Perfumaria (-1,94%); Lâmpadas (-1,84%); Calçados de Franca (-1,69%); e Azeite (-1,62%). Resultado preocupante O desempenho causou preocupação na Fiesp, informou o diretor de Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon) da entidade, Paulo Francini. "Em maio, na última divulgação, quando o nível de emprego subiu 0,71% sobre abril, já tínhamos dito que o desempenho estava em desacordo com a nossa expectativa, porque esperávamos um revigoramento do emprego industrial. Junho confirma o sinal de alerta e o que era uma luz amarela está se alaranjando para o vermelho", declarou.Ele admitiu "sensação clara de que, se o índice fosse dessazonalizado, seria negativo". Por conta da mudança de metodologia de apuração do nível de emprego industrial, a Fiesp ainda não possui uma base de dados suficiente para a apuração do índice com ajuste sazonal (dessazonalizado). "Não será surpresa se os próximos números, da seqüência de divulgações, venham negativos. Considerando o comportamento histórico, o emprego industrial tem uma grande queda em dezembro, se recupera no primeiro semestre até junho, passa por amortecimento até setembro, entre setembro e outubro, cresce, e volta a cair a partir de novembro. O indicador de junho foi zero e sempre ficamos com medo quando este ponto zero é atingido, porque há o risco de se tornar negativo", justificou.Ao analisar o desempenho setorial, Francini se disse preocupado com o fato de apenas em seis setores o emprego industrial ter sido positivo, performance similar a dezembro de 2005, exatamente o período em que a indústria menos contrata. A justificativa, na visão dele, é a forte influência que o câmbio exerce em setores, como Calçadista e de Beneficiamento de Couro e Moveleiro, estimulando as importações e comprometendo as exportações.Saldo positivo Como saldo positivo, o diretor da Fiesp destacou o crescimento de 6,17% na indústria de informática, em junho. "Isso é resultado de uma política muito bem sucedida. O governo desonerou de PIS e Cofins os fabricantes e, assim, tirou a vantagem de preços que havia dos ´micreiros´, os fabricantes informais de computador. O mercado de informática, evidentemente, vive um crescimento de vendas, mas há também uma migração muito forte de produção informal para formal, o que também estimula a criação de empregos", resumiu. Este texto foi atualizado às 15h36.

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