Emprego industrial tem em março maior queda desde 2001

Indicador medido pelo IBGE interrompe sequência de dez trimestres de taxas positivas e cai 4% no 1º trimestre

Jacqueline Farid, da Agência Estado,

12 de maio de 2009 | 09h07

A taxa de emprego industrial medida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) recuou 5% em março deste ano em relação ao mesmo mês de 2008, a maior queda anual desde o início da pesquisa, em março de 2001. No primeiro trimestre deste ano, a retração chegou a 4%, também a maior desde 2001. A queda trimestral no emprego interrompe uma sequência de dez trimestres de taxas positivas. 

 

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Na comparação com fevereiro, a queda em março foi de 0,6%. No acumulado dos últimos 12 meses, o indicador saiu de 1,0% em fevereiro para 0,3% em março e acentuou a trajetória descendente iniciada em agosto do ano passado, às vésperas do agravamento da crise mundial.

 

Os resultados do mercado de trabalho industrial em março mostram um "predomínio de taxas negativas, que atingem a maior parte dos locais e setores pesquisados", segundo destacou o economista da coordenação de indústria do IBGE, André Macedo. Segundo ele, em seis meses o emprego no setor teve um recuo acumulado de 5,8%.

 

Macedo observou que a desaceleração abrupta da produção da indústria a partir de outubro do ano passado rebateu imediatamente no mercado de trabalho e os efeitos se agravaram nos últimos meses. "Há uma transmissão bastante rápida da queda na produção para o mercado de trabalho, porque a desaceleração na atividade foi rápida e intensa", disse.

 

Setores

 

A redução atingiu os quatorze locais e quatorze dos dezoito ramos pesquisados. São Paulo (-4,0%), região Norte e Centro-Oeste (-8,6%) e Minas Gerais (-6,2%) exerceram as pressões negativas mais significativas.

 

Nesses locais, os segmentos que mais contribuíram para o recuo do emprego foram: máquinas e equipamentos (-10,3%) e produtos de metal (-11,5%) na indústria paulista; madeira (-27,2%) e alimentos e bebidas (-3,6%) no Norte e Centro-Oeste; e meios de transporte (-15,0%) e vestuário (-9,7%) na indústria mineira.

 

Em termos setoriais, no total do País, os principais destaques negativos foram vestuário (-8,6%), máquinas e equipamentos (-8,2%), calçados e artigos de couro (-10,3%) e meios de transporte (-7,0%). Por outro lado, papel e gráfica (7,0%), refino de petróleo e produção de álcool (3,5%), minerais não-metálicos (0,8%) e indústria extrativa (0,5%) exerceram pressão positiva.

 

Renda

 

O valor da folha de pagamento real da indústria caiu 2,5% em março ante fevereiro, na série livre dos efeitos sazonais, segundo os dados do IBGE. Na comparação com março do ano passado, o valor total da folha de pagamento industrial recuou 2,2%.

 

De acordo com Macedo, a queda na folha reflete uma base de comparação elevada de março do ano passado, mas está relacionada também ao número menor de contratações e à redução no pagamento de horas extras no setor. "Além disso, o poder de negociação dos trabalhadores diminui bastante em momentos de menor dinamismo da produção", afirmou.

 

O número de horas pagas na indústria também mostrou resultados negativos em março, com recuo de 0,9% ante fevereiro, a sexta queda consecutiva ante mês anterior e queda de 5,6% ante março do ano passado, a quinta taxa negativa consecutiva nessa comparação.

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