Emprego industrial tem primeira queda em seis anos

O emprego na indústria paulista caiu 2,48% em dezembro ante novembro, resultando na eliminação de 52 mil postos, segundo divulgou nesta terça-feira a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Com o resultado, o emprego industrial em 2006 recuou 0,26%, em comparação ao ano anterior, incorrendo no corte de 5 mil vagas. A queda foi a primeira no indicador desde 2000."Podemos inserir que a principal causa para o baixíssimo desempenho de emprego industrial foi o aumento das importações. Se olharmos o resultado da balança comercial, mesmo obtendo US$ 46 bilhões de superávit, a decomposição das importações revela que a indústria de transformação foi atingida de forma trágica", avaliou, em entrevista coletiva, o diretor do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos da Fiesp, Paulo Francini.Segundo ele, o desempenho não surpreendeu a Fiesp, uma vez que o comportamento da produção industrial e do próprio emprego no setor ao longo do ano fora considerado "medíocre". Para ele, a queda de 0,26% no ano foi mais "efeito estatístico" do que propriamente uma percepção mais ruim de um cenário já negativo projetado pela indústria. DezembroEm dezembro último, as principais quedas do emprego industrial foram verificados nos setores de: fabricação de coque, refino de petróleo, elaboração de combustíveis nucleares e produção de álcool, -12,60%; fabricação de produtos alimentícios e bebidas, -9,74%; preparação de couros e fabricação de artefatos de couro, artigos de viagem e calçados, -6,50%; fabricação de máquinas para escritórios e equipamentos de informática, -5,60%; fabricação de artigos de borracha e plástico, -2,64%.No ano, os melhores desempenhos para criação de empregos foram vistos nos seguintes setores: fabricação de coque, refino de petróleo, elaboração de combustíveis nucleares e produção de álcool, 19,37%; fabricação de outros equipamentos de transportes, 8,68%; fabricação de produtos minerais não-metálicos, 4,95%; fabricação de máquinas, aparelhos e materiais elétricos, 4,10%; metalurgia básica, 3,69%.Na opinião de Francini, a queda de 2,48% do emprego industrial em dezembro ante novembro mereceu destaque. Isso porque, salientou, o emprego no setor de cana-de-açúcar e álcool tem sido potencializado nos últimos anos por conta do crescimento da produção. Assim, embora o saldo de 2006 tenha sido de crescimento de 19,37% nas vagas desse setor, a queda de 12,6% em dezembro também foi mais sentida, puxando o desemprego do conjunto da indústria paulista. "O fato é que em 2006 a indústria de cana contratou mais do que em anos anteriores e, em todo mês de dezembro, devido à sazonalidade, há demissões. Acontece que, como contratou mais, no início do ano, as demissões de dezembro também impactaram mais fortemente", explicou.MetodologiaOs porcentuais foram divulgados sem ajuste sazonal, uma vez que, desde dezembro de 2005, a metodologia de apuração do índice foi modificada pela Fiesp. Em dezembro de 2005, o nível de emprego havia caído 1,62%, dado que não deve, entretanto, ser comparado ao desempenho do mesmo mês de 2006, uma vez que, reiterou a Fiesp, houve mudança na metodologia da pesquisa. Com a mesma ressalva, a Fiesp informou que, em 2005, o emprego industrial oscilou positivamente em 2,4%, com a criação de 48,41 mil empregos. Matéria alterada às 13h26 para acréscimo de informações

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