Emprego industrial volta a crescer em julho após 9 meses

Segundo o IBGE, o emprego na indústria registrou alta de 0,4% ante junho; no ano, queda é de 5,4%

Jacqueline Farid, da Agência Estado,

08 de setembro de 2009 | 09h18

O emprego industrial subiu 0,4% em julho ante junho, na série com ajuste sazonal, segundo divulgou nesta terça-feira, 8, o IBGE. O resultado positivo interrompe uma sequência de nove quedas consecutivas na ocupação no setor nessa base de comparação, segundo destacaram os técnicos do instituto no documento de divulgação.

 

 

Na comparação com julho do ano passado, porém, o emprego na indústria caiu 7,0%, o pior resultado na comparação com igual mês de ano anterior apurado pelo IBGE desde o início da série histórica da pesquisa, em 2001. No ano, o emprego na indústria acumula queda de 5,4% e em 12 meses, recuo de 2,7%.

 

Folha de pagamento real da indústria sobe 0,1% em julho

 

O valor da folha de pagamento real da indústria aumentou 0,1% em julho ante junho, na série com ajuste sazonal, segundo o IBGE. O resultado reverte uma queda de 1,7% apurada na folha do setor em junho ante maio.

 

Nos confrontos com iguais períodos de 2008, o valor total da folha de pagamento apresentou resultados negativos no índice mensal (-3,9% ante julho do ano passado) e no acumulado no ano (-1,6%). O indicador acumulado dos últimos 12 meses "prossegue com redução no ritmo do crescimento desde setembro do ano passado" (quando alcançou alta de 6,7%)", atingindo 1,5% em julho/09.

 

Emprego industrial reage positivamente à retomada da produção, diz especialista

 

Os dados do emprego industrial de julho mostram uma influência positiva da reação da produção do setor sobre o mercado de trabalho, segundo avalia o economista da coordenação de indústria do IBGE, André Macedo.

 

Macedo explicou que a queda de 7,0% apurada na produção em julho ante igual mês do ano passado, um recorde negativo na série histórica, resulta de uma base de comparação elevada de 2008. "Os dados que comparam os resultados de 2009 com o ano passado não refletem a recuperação que já está ocorrendo na indústria após o ajuste intenso que foi feito no final de 2008", observou.

 

Segundo Macedo, "é preciso aguardar novas informações sobre como vai se dar esse ritmo de reação na produção e como vai se rebater no mercado de trabalho". Ele lembra que a ocupação reflete de forma defasada a recuperação na produção industrial e avalia que o emprego não teria como reagir com mais vigor em momento de retomada lenta do setor.

 

No que diz respeito à folha de pagamento, que manteve estabilidade (0,1%) em julho ante junho, Macedo também avalia que só um dinamismo mais forte da indústria vai garantir um aumento maior da folha, que equivale à massa salarial do setor. "As contratações ainda não são suficientes para um aumento mais significativo da folha e as negociações salariais não evoluem muito num momento em que o emprego não cresce significativamente", explica.

Tudo o que sabemos sobre:
empregoindústriajulho

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.