Emprego menos qualificado sustenta taxa em nível baixo

Análise: José Paulo Kupfer

O Estado de S.Paulo

23 de novembro de 2012 | 02h19

Enquanto as projeções para a expansão da economia em 2012 continuam apontando resultado mais do que insatisfatório - talvez nem alcance 1,5% sobre 2011 -, o índice de pessoas desocupadas, em relação à população econômica ativa, manteve-se, impavidamente estacionado num dos seus menores níveis históricos. Essa situação, aparentemente sem sentido, não vem de hoje. Mas, agora, é até menos fora de esquadro do que parecia ser uns cinco meses atrás.

Apesar do crescimento muito baixo com que o ano está fechando, que reflete ritmo cadente de atividade econômica registrado no primeiro semestre, a partir de junho a economia inverteu a tendência e entrou numa trajetória de recuperação, ainda que não exuberante. Quando divulgar, no fim da próxima semana, um crescimento acima de 1% (em torno de 4% anualizados), no terceiro trimestre do ano sobre o anterior, o IBGE confirmará essa perspectiva.

Há, de todo modo, razões mais estruturais para explicar o enigma das taxas de desemprego tão baixas em meio a um ciclo de crescimento econômico emperrado. É preciso considerar que, em si, o nível da taxa de desemprego não diz tudo sobre o mercado de trabalho e muito menos sobre a sua qualidade. De um lado, os altos custos de admitir e demitir empregados potencializam a estocagem de mão de obra mais qualificada, mesmo em períodos de atividade menos intensa. De outro, os empregos que sustentam o atual baixo índice de ocupação, Têm se concentrado no setor de serviços e, dentro dele, nos segmentos que exigem menor qualificação. Incluindo o comércio, os serviços responderam, no ano passado, por três em cada quatro novos postos formais de trabalho.

Visto com lentes de aproximação, no fim das contas, não parece apropriado falar em pleno emprego diante de um quadro como esse. Ainda mais sem levar em conta que, apesar do ingresso de massas de informais nos primeiros e ainda precários estágios da formalidade, cerca de um terço da mão de obra ainda se encontra inteiramente fora dos marcos legais trabalhistas.

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