Emprego na agricultura continua a cair, aponta IEA

O mercado de trabalho da agricultura paulista, que encolheu ao ritmo de 1,27% ao ano na década de 90, continua se retraindo no início do século 21. É o que mostra estudo de três pesquisadoras do Instituto de Economia Agrícola da Secretaria de Agricultura de São Paulo (IEA). Artigo de Maria Carlota Vicente, Vera Lúcia Francisco e Celma Baptistella revela que, em novembro de 2001, a agricultura do Estado ocupava 1,146 milhão de pessoas, contra 1,310 milhão do mesmo mês em 2000. A variação negativa é de mais de 12%. Em entrevista à Agência Estado, Carlota Vicente aponta a modernização da produção agrícola como principal vetor do encolhimento do mercado de trabalho no campo. Esta modernização provocou crise na cotonicultura paulista, grande geradora de emprego em períodos de colheita. Também aumentou a mecanização na produção de grãos e de cana-de-açúcar, reduzindo a demanda por mão-de-obra também nestas atividades. Carlota destaca, contudo, que a forte redução do número de pessoas empregadas na agricultura no período foi acentuada por problemas conjunturais. "É preciso lembrar que o ano de 2001 foi bastante ruim para o café, e a produção de laranja também recuou", explica. "Café, laranja e cana-de-açúcar respondem por 60% dos postos de trabalho na agricultura paulista." O ano de retração para a citricultura e cafeicultura refletiu diretamente sobre a oferta de trabalho para os volantes, aqueles trabalhadores empregados por empreitadas, como a de plantio e colheita de culturas. Os postos de trabalho dos volantes caíram 14,5% em novembro de 2001, em relação ao ano anterior. Havia 268,4 mil volantes empregados em 2000, contra apenas 229,5 mil no mesmo mês do ano passado. Também houve redução no nível de emprego em todas as categorias avaliadas pelas pesquisadoras. Os assalariados residentes ou não-residentes nas propriedades rurais, que somavam 494,4 mil em novembro de 2000, caíram para 407,9 mil no ano seguinte (-17,5%). Os arrendatários residentes e não-residentes, que somavam 53.921 em 2000, eram apenas 30.703 (-43%). Os parceiros residentes e não-residentes, que somavam 60.819, chegaram a novembro de 2001 em 48.329 (-20,53%). Mas a categoria que mais chamou a atenção foi a de proprietários, residentes ou não-residentes. Havia 391.036 proprietários de terras em atividade agrícola em novembro de 2000, contra apenas 368.905 no ano seguinte, uma queda de 5,65%. Seria um sinal de que pode estar havendo maior concentração fundiária, ou de que maior número de produtores estão sendo excluídos da atividade? É cedo para avaliar, segundo Carlota. "Muitos pequenos produtores tiveram um ano ruim em 2001, por causa da fruticultura. Seria preciso acompanhar um período mais extenso para se confirmar tal tendência." A pesquisadora nota que, seja como for, houve um aumento em atividades no meio rural desvinculadas da agricultura. Turismo rural, pesque-pague e outros segmentos do setor terciário aumentaram a oferta de trabalho. Em novembro de 2000, garantiam 104 mil empregos, aumentando para 138 mil empregos no ano seguinte. "Infelizmente, o ritmo de assimilação de mão-de-obra não está acompanhando a queda do nível de emprego na agricultura", avalia Carlota.

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