Felipe Rau/Estadão
Felipe Rau/Estadão

Emprego na indústria tem a maior queda desde 2009

Resultado de 2014 apresentado pelo IBGE representa o 3º ano consecutivo de recuo na ocupação de assalariados nas fábricas

Idiana Tomazelli, Agência Estado

10 Fevereiro 2015 | 09h29

O emprego na indústria amargou seu terceiro ano seguido de queda, informou nesta terça-feira, 10, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que anunciou o resultado da Pesquisa Mensal da Indústria - Emprego e Salário (Pimes). Em 2014, o pessoal ocupado assalariado recuou 3,2% em relação ao ano anterior. 

O resultado sucede quedas de 1,1% em 2013 e de 1,4% em 2012. Além disso, o desempenho do ano passado foi o pior desde 2009, quando o emprego diminuiu 5,0% no total da indústria brasileira.

A indústria paulista, por sua vez, viu seu contingente de trabalhadores encolher 4,3% no ano passado - a queda foi a mais intensa de toda a série histórica, iniciada em 2002. Responsável por um terço dos postos de trabalho da atividade no País, a indústria paulista não resistiu ao recuo de 6,2% na produção no ano passado e figurou como o destaque negativo no cenário nacional.

As perdas não ficaram restritas a São Paulo. No ano passado, apenas Pernambuco, dentre os 14 locais pesquisados pelo instituto, não registrou demissões - e, ainda assim, o resultado foi de alta de 0,1%, considerado uma estabilidade pelo órgão.

"A queda no emprego foi bem generalizada", afirmou o economista Fernando Abritta, técnico da Coordenação de Indústria do IBGE. "Se a gente olhar o ano de 2014, o emprego industrial foi intensificando as perdas. E o que está por trás é o resultado fraco da produção industrial", acrescentou o técnico.

Segundo o IBGE, a produção diminuiu em todas as categorias de uso, mas principalmente em bens de capital e duráveis. "Os bens de capital dependem de investimentos, financiamento de longo prazo e confiança. Já os duráveis estão diretamente ligados ao crédito. A conjuntura reflete na indústria, com juros mais altos e inflação que continua alta."

Em dezembro, contudo, o emprego industrial cresceu 0,4%, interrompendo uma sequência de oito resultados negativos. "Mas de maneira alguma podemos apontar (o resultado) como reversão do quadro negativo", frisou Abritta. "Para 2015, temos de aguardar, mas o cenário não é favorável."

Além das perdas em termos de postos de trabalho, o número de horas pagas e o valor real da folha de pagamento também recuaram em 2014. "Os trabalhadores vinham conseguindo obter reajustes que ao menos recompunham a inflação. Isso agora não está acontecendo. Além disso, temos muitos lay offs (regime de suspensão temporária de contratos) e férias coletivas", citou o técnico do órgão.

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