Emprego na indústria tem em dezembro maior queda em 8 anos

Indicador do IBGE cai 1,8% na comparação com novembro; apesar disso, emprego fecha 2008 com alta de 2,1%

Jacqueline Farid, da Agência Estado,

09 de fevereiro de 2009 | 09h09

O emprego industrial caiu 1,8% em dezembro ante novembro, na série com ajuste sazonal, segundo divulgado nesta segunda-feira, 9, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado representou a maior queda na ocupação no setor ante mês anterior desde o início da série dessa pesquisa, em 2001. Apesar disso, o resultado do emprego no acumulado de 2008 ficou positivo, com alta de 2,1%. Na comparação com dezembro de 2007, o indicador registrou a primeira taxa negativa (- 1,1%) após 29 meses consecutivos de expansão.   Veja também: De olho nos sintomas da crise econômica  Dicionário da crise  Lições de 29 Como o mundo reage à crise   O economista da coordenação de indústria do IBGE André Macedo observou que os resultados negativos do mercado de trabalho do setor industrial em dezembro refletem a forte perda de dinamismo na produção do setor no último trimestre do ano passado. Segundo ele, o emprego habitualmente responde com defasagem aos movimentos na atividade, mas como a perda no final do ano passado na produção foi muito intensa, não é possível saber ainda se os resultados na ocupação de dezembro são um "contágio final" ou tendem a se aprofundar nos próximos meses.   Macedo explicou que, em termos setoriais, os segmentos que vinham puxando o emprego industrial em 2008 mostraram forte desaceleração nos resultados no final do ano. É o caso de veículos automotores, que em outubro ainda registrava um aumento de 7% no emprego ante igual mês de 2007, passou para uma alta de 4% em novembro e, por fim, para um aumento de 1,1% em dezembro.   Outro exemplo citado por Macedo é a produção de máquinas e equipamentos, que passou de uma alta de 8,4% em outubro para 2,7% em dezembro. Segundo ele, as atividades que já vinham registrando queda no emprego consecutivamente, como calçados e têxteis, mantiveram o ritmo de recuo sem alterações por causa da crise.   Segundo Macedo, a queda de 1,1% no emprego em dezembro ante igual mês do ano anterior, o pior resultado desde janeiro de 2004 no total nacional, foi puxada por São Paulo, onde a ocupação recuou 0,8%, o primeiro resultado negativo nessa base de comparação desde abril de 2004. O economista do IBGE explica que "os setores que vinham sustentando os resultados positivos em São Paulo, como veículos automotores, mostraram perda de velocidade significativa".   Renda   Já o valor da folha de pagamento real dos trabalhadores da indústria caiu 0,7% em dezembro ante novembro, na série com ajuste sazonal. Foi a terceira taxa negativa consecutiva apurada nessa base de comparação.   Nos confrontos com iguais períodos do ano anterior, os resultados da folha continuaram positivos: 4,1% ante dezembro de 2007 e 6,0% no acumulado no ano.   O número de horas pagas aos trabalhadores da indústria também recuou em dezembro ante novembro, com queda de 1,7% na série com ajuste sazonal. No ano de 2008, o número de horas pagar teve alta acumulada de 1,9%.   Na comparação com dezembro de 2007, houve queda de 1,8%, o maior recuo apurado na pesquisa desde dezembro de 2003. Nessa base de comparação, houve decréscimo nas horas pagas em 11 dos 14 locais pesquisados, com destaque para São Paulo (-1,4%), Paraná (-3,8%) e regiões Norte e Centro-Oeste (-3,5%).   Em termos setoriais, as principais quedas nas horas pagas ocorreram nos segmentos de vestuário (-8,7%), madeira (-11,5%) e têxtil (-7,8%).

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