Emprego na indústria tem maior queda mensal em cinco anos

Índice recuou 0,6% em novembro ante outubro; na comparação com 2007, houve alta de 0,4% na ocupação

Reuters e Agência Estado

13 de janeiro de 2009 | 09h13

O emprego na indústria brasileira caiu em novembro no maior ritmo em 5 anos, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta terça-feira, 13. O período costuma ser ruim para o setor, que demite temporários contratados poucos meses antes em meio às encomendas do varejo para as festas de fim de ano, mas a situação foi agravada pela crise global.   Veja também: Desemprego, a terceira fase da crise financeira global De olho nos sintomas da crise econômica  Dicionário da crise  Lições de 29 Como o mundo reage à crise    O emprego caiu 0,6% em novembro ante outubro - a maior queda desde outubro de 2003 -, mas manteve-se positivo na comparação anual, crescendo 0,4%. Apesar de positiva, a taxa contra novembro de 2007 foi a menor desde outubro de 2006. De janeiro a novembro do ano passado, o emprego no setor acumulou alta de 2,4% e em 12 meses, de 2,5%.   Renda   O valor real da folha de pagamento caiu 2,7% em novembro ante outubro, na série com ajuste sazonal, no segundo resultado negativo consecutivo ante mês anterior. Nos principais confrontos com iguais períodos do ano passado, os resultados da folha prosseguiram positivos: 4,1% frente a novembro de 2007, de 6,3% no acumulado no ano e também de 6,3% nos últimos 12 meses.   Já o número de horas pagas na indústria caiu 1,7% em novembro ante outubro, na série com ajuste sazonal. Os técnicos do instituto destacam que essa "foi a maior queda em toda a série histórica iniciada em janeiro de 2001".   Eles explicam, no documento de divulgação da pesquisa, que "as paralisações na produção e a concessão de férias coletivas não planejadas marcaram o setor industrial a partir de outubro, se ampliaram em novembro e estão na base dessa variação recorde".   Na comparação com novembro de 2007, o número de horas pagas recuou 0,4%, interrompendo um ciclo de 29 meses de taxas positivas e registrou o menor resultado ante igual mês de ano anterior desde novembro de 2005 (-0,6%). Os indicadores para períodos mais abrangentes foram positivos: 2,3% no acumulado do ano e 2,3% nos últimos 12 meses.   Perda de dinamismo   Os resultados do mercado de trabalho industrial em novembro, sobretudo os relativos às horas pagas, refletem a perda de dinamismo na atividade do setor, segundo observou o economista da coordenação de indústria do IBGE, André Macedo. "Os dados vieram em linha com o atual momento da produção industrial, especialmente o número de horas pagas, que é o principal indicador antecedente do emprego no setor, com efeito futuro no pessoal ocupado", disse.   Macedo sublinhou que os setores que mostraram desaceleração mais forte no número de horas pagas foram exatamente aqueles que refletiram com maior intensidade, em novembro, os efeitos da crise, como a indústria automobilística e de bens duráveis.   "Vale destacar que os setores de meios de transporte e de máquinas e aparelhos eletroeletrônicos, que mostraram acréscimo de 0,6% em novembro e vinham liderando o crescimento nacional, apontaram clara redução no ritmo de expansão frente aos resultados de meses anteriores", destacou Macedo.   Além do número de horas pagas, que reflete imediatamente as paralisações e férias coletivas na indústria, os dados do emprego industrial e da folha de pagamento também mostraram desaceleração nos resultados, como observou Macedo.   No caso do emprego, Macedo também destacou a forte desaceleração nos resultados, especialmente no segmento de meios de transporte (inclui automóveis, caminhões, autopeças), que vinha com um aumento de 7,1% no emprego em outubro - quando a indústria desse setor já mostrava perda de ritmo - e recuou para uma alta de quase a metade (4,1%) em novembro.   A indústria automobilística também pode ter sido responsável, segundo Macedo, pelo mau desempenho da folha real de pagamento da indústria em novembro, que teve recuo de 2,7% ante outubro. Segundo ele, como esse segmento paga salários mais elevados do que a média da indústria, a perda de dinamismo setorial pode ter tido impacto negativo nos resultados gerais da folha.

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