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''''Emprego não falta'''', diz pedreiro

Trabalhadores, migrantes em sua maioria, comemoram bom momento

O Estadao de S.Paulo

07 de setembro de 2016 | 00h00

O pedreiro William Morais Pinheiro, baiano de Morro do Chapéu, está feliz com a profissão. Desde que desembarcou em São Paulo, quatro anos atrás, já passou por seis construtoras, sempre melhorando o salário - piso de R$ 785, mais R$ 3,33 de produção por metro quadrado -, bem mais do que ganhava trabalhando na roça em Irecê, a terra do feijão. "Disso não posso me queixar, emprego é o que não falta", disse ele na quarta-feira de manhã no 11º andar de um prédio em obras na Vila Clementino, zona sul da capital, entre meia dúzia de companheiros. Se estava com a cara amarrada naquela hora, era de ficar parado por falta de massa para dar acabamento à fachada, sua especialidade."A máquina quebrou, faz três dias que não ganho um centavo", queixava-se o fachadista, imaginando que, no fim do mês, a remuneração pudesse cair pela metade. Pinheiro mora num quarto alugado na periferia da zona leste e viaja quase duas horas de trem e metrô, ida e volta, para trabalhar na zona sul. Vida dura, mas ele nem pensa em voltar para o Nordeste. Os conterrâneos concordam, embora todos tenham saudades da família - dos pais, irmãos e sobrinhos que não puderam migrar para São Paulo. "Se aqui é ruim, lá é pior", disse Valdik Pires Rocha, que chegou há 25 anos de Boa Nova, região de Jequié.O mestre-de-obras Alírio Martim Ribeiro, de 43 anos, outro migrante de Boa Nova, veio na mesma época e nunca voltou à sua terra. A maioria dos funcionários que trabalham ali é da Bahia e do Ceará.Começaram na categoria de servente - sem nenhuma qualificação - e foram progredindo na profissão, até atingir o grau de oficial, aquele pessoal de capacete branco, que pode ser pedreiro, carpinteiro, azulejista, eletricista, encarregado... Assim foi a carreira de Cícero de Jesus Santos, baiano de Macaúbas. Contratado em 1997 como ajudante, subiu para administrador e hoje, aos 33 anos, é comprador de materiais, um cargo de confiança na empresa. Huruo Ishikawa, o dono da construtora, sorri de satisfação e orgulho, ao apontar os empregados que vão melhorando de vida nesse ramo. Cícero tinha curso colegial completo quando chegou, mas a maioria partiu quase do zero. "Muitos foram alfabetizados na obra", informa o engenheiro Odécio Funai, nessa mesma firma desde 1988. "Colei grau em outubro na Unesp (Universidade Estadual Paulista) de Bauru e já estava empregado em dezembro."A fidelidade de seu pessoal ao emprego, sobretudo numa época como essa, quando os "gatos" da concorrência acenam com salários mais altos, é mais uma alegria de Huruo Ishikawa, pois não é nada fácil encontrar engenheiro e oficial de experiência. "Não tenho dificuldade neste instante, mas vou ter", prevê. Além de 60 funcionários, ele tem mais 150 terceirizados.A demanda por profissionais qualificados, que não se via nos últimos 15 anos, vem aumentando desde o fim de 2006.

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