Emprego nos EUA tem maior queda em quase 5 anos

Os Estados Unidos fecharam postos detrabalho pelo segundo mês seguido em fevereiro, cortando 63 milempregos na maior redução mensal em quase cinco anos, informouo governo nesta sexta-feira. O Departamento de Trabalho divulgou também que o resultadode janeiro, inicialmente reportado como fechamento de 17 milvagas, foi revisado para corte de 22 mil empregos. Além disso,apenas 41 mil empregos foram criados em dezembro, em vez dos 82mil inicialmente reportados. "Isso confirma o temor que vem assombrando o mercadofinanceiro nas últimas semanas. A probabilidade de uma recessãoestá acima de 50 por cento", disse Richard Dekaser,economista-chefe da National City Corp, em Cleveland. "O Fed precisa ser mais agressivo", acrescentou. O bancocentral norte-americano deve cortar os juros mais uma vez nestemês e, pouco antes da divulgação dos dados nesta sexta-feira,anunciou medidas para aumentar a liquidez nos fortementepressionados mercados de crédito. Os preços dos títulos norte-americanos saltaram após apublicação do relatório, os futuros das bolsas recuaramfortemente, e o dólar caiu para um novo recorde ante o euro. A sequência negativa de janeiro e fevereiro foi a primeiradesde maio e junho de 2003. O relatório foi pior do que o esperado. Analistas ouvidospela Reuters previam abertura de 25 mil postos de trabalho, comaumento da taxa de desemprego para 5,0 por cento. Em fevereiro, a taxa de desemprego caiu de 4,9 por centopara 4,8 por cento, mas a baixa ocorreu por causa da redução donúmero de pessoas no mercado de trabalho. Segundo odepartamento, essa queda foi de 450 mil pessoas no mês. O fechamento de postos foi amplo. Cerca de 52 mil empregosforam encerrados na indústria, maior queda desde julho de 2003.O setor de construção eliminou 39 mil empregos, refletindo acrise no setor imobiliário. O departamento informou que, desde o pico do mercadoimobiliário em setembro de 2006, o setor de construção eliminou331 mil empregos. Em comunicado divulgado junto com o relatório, oencarregado pelo setor de estatísticas de trabalho doDepartamento, Keith Hall, disse que boa parte dessas perdaspode levar um longo tempo para ser revertida. "O aumento no desemprego nos últimos 12 meses foiconcentrado entre pessoas que perderam o emprego e não têmexpectativa de serem chamadas de volta", afirmou. O destaque positivo do relatório foi o governo, que criou38 mil postos de trabalho em fevereiro, após a contratação de 4mil pessoas em janeiro. (Reportagem de Glenn Sommerville)

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