Emprego se mantém e renda cresce

Renda média do trabalhador em agosto atingiu nível recorde, R$ 1.629, alta de 0,5% ante julho; taxa de desemprego permanece em 6%

DANIELA AMORIM / RIO , O Estado de S.Paulo

23 de setembro de 2011 | 03h05

O País repetiu em agosto exatamente a mesma taxa de desemprego registrada no mês anterior, 6%, segundo a Pesquisa Mensal de Emprego, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No entanto, a renda média do trabalhador atingiu nível recorde, R$ 1.629,40, um aumento de 0,5% na comparação com o mês anterior. A massa de salários somou R$ 37,2 bilhões. O resultado contribuiu para aumentar a preocupação com a inflação, já pressionada pela rápida valorização do dólar nos últimos dias.

Embora venha caindo a passos menores que o esperado, o emprego ainda forte e o aumento do poder de compra dos trabalhadores preocupam analistas. A taxa de desemprego no País alcançou uma média de 6,3% de janeiro a agosto, bem abaixo da taxa de 7,2% registrada no mesmo período de 2010. "Os dados do mercado de trabalho, com a massa de salários em expansão, acabam colocando lenha na fogueira das pressões inflacionárias. E o repique de câmbio traz uma preocupação adicional", disse o economista-chefe da Votorantim Wealth Management & Services, Fernando Fix.

Na avaliação de Flávio Combat, economista-chefe da Concórdia Corretora, o mercado de trabalho deu mais um sinal de força. A taxa de desemprego de agosto foi a menor para o mês desde o início da pesquisa, em 2002. "A baixa ociosidade de mão de obra, os ganhos salariais acima da inflação, as negociações de diversas categorias no segundo semestre de 2011 e o reajuste do salário mínimo em 2012 são elementos de forte pressão sobre a demanda doméstica e, consequentemente, sobre a trajetória dos preços."

As atividades de construção, comércio e serviços prestados a empresas foram as que mais absorveram trabalhadores. Na comparação com agosto do ano passado, o emprego na construção cresceu 7,2%; o comércio, 3,2%, e no setor de serviços prestados a empresas, a alta foi de 5%. "A força da indústria de construção está relacionada ao aumento do poder de compra da população", disse Cimar Azeredo, gerente da Coordenação de Trabalho e Rendimento do IBGE.

Negativo. O destaque negativo foi do setor de serviços domésticos, com retração de 0,8%. A atividade teve saldo negativo de 12 mil postos de trabalho. "Está cada vez mais difícil encontrar esse serviço, em função da melhora do mercado de trabalho e da educação", explicou Azeredo.

O comportamento do mercado de trabalho em agosto fez a Tendências Consultoria Integrada rever sua previsão para a taxa de desemprego média em 2011, de 6,4% para 6,0%.

O analista da consultoria Rafael Bacciotti vê uma moderação na renda média dos trabalhadores. "De qualquer forma, as notícias recentes mostram que as negociações coletivas têm sido bem sucedidas neste segundo semestre, de modo a garantir o poder de compra da renda", assinalou Baciotti. O aumento da renda nos últimos meses pode ser atribuído, em grande parte, à formalização no mercado de trabalho. O número de empregados com carteira assinada no setor privado subiu 0,7% em agosto ante julho, com 82 mil novas vagas. Na comparação com agosto de 2010, o aumento foi de 7,5%, mais 764 mil vagas com carteira.

"A formalidade pode ser uma das razões desse aumento no rendimento. Há mais pessoas com carteira assinada, portanto, ganhando melhor. A economia forte formaliza, e a economia formalizada possibilita um rendimento maior", disse Azeredo.

A população desocupada ficou em 1,4 milhão de pessoas em agosto, enquanto os ocupados somaram 22,6 milhões, sendo 11 milhões de trabalhadores com carteira de trabalho assinada. / COLABOROU DENISE ABARCA

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