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Empreiteira OAS não paga título de R$ 100 milhões

Construtora, investigada na operação Lava Jato, foi rebaixada pelas agências de classificação de risco Standard & Poor’s e Moody's

FERNANDA GUIMARÃES, ALINE BRONZATI, LUCIANA COLLET e ALTAMIRO SILVA JÚNIOR, O Estado de S. Paulo

05 de janeiro de 2015 | 22h24

A construtora OAS, um dos alvos de investigação da Operação Lava Jato, não honrou o pagamento da 9ª emissão de debêntures de R$ 100 milhões que venceu nesta segunda-feira mesmo após passar o dia em negociação com credores com o auxílio de assessores financeiros e legais, conforme apurou o Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado. Procurada, a OAS confirmou que o título não foi pago e que suspendeu temporariamente todos os pagamentos não relacionados à sua operação.

As debêntures foram emitidas no âmbito da instrução 476, de esforços restritos, na qual são ofertadas a no máximo 50 investidores, mas apenas 20 podem adquiri-las. O Bradesco é o banco mandatário da emissão e o Santander o coordenador líder, segundo informações disponibilizadas na Cetip e na Anbima. O vencimento da 9ª emissão de debêntures da OAS é abril de 2016, mas, conforme explicaram agências de risco, em comunicado, há uma cláusula que estabelece que a dívida venceria em 5 de janeiro de 2015 se os detentores dos papéis não aprovassem as novas condições para manter o cronograma original de amortização. A remuneração dos papéis, segundo Cetip e Anbima, é de 2,65%.

“Visando preservar sua liquidez e continuidade de suas operações, o grupo suspendeu temporariamente todos os pagamentos financeiros não relacionados à operação. Financiamentos de equipamentos, leasings, fianças bancárias e seguros garantia relacionados a obras estão hoje mantidos”, informou a OAS em nota.

Entre as tratativas que teve com credores, a OAS negociou o pagamento da 10ª emissão de debêntures, mas não chegou a um acordo. Na semana passada, a empresa já havia deixado de honrar os rendimentos da emissão de bônus de US$ 400 milhões que vencem em 2021, no valor de US$ 16 milhões. O não pagamento deste compromisso e do novo vencimento desta segunda-feira motivaram mais um rebaixamento de rating da OAS, desta vez pela Standard & Poor’s. 

Moody's. A agência de classificação de risco Moody's também rebaixou o rating da OAS. Em escala global, a nota passou para C, de B2. O rating de títulos de dívida garantidos da OAS Investments Gmbh e da OAS Finance Limited também foram revisados para C, de B2. A perspectiva de ambas as notas é estável.

O rebaixamento foi motivado pela falha da OAS em realizar o pagamento de US$ 16 milhões em juros sobre os bônus em 2 de janeiro de 2015 de uma emissão de US$ 400 milhões com vencimento em 2021. Após o período de carência de 30 dias, isso "constituiria um caso de inadimplência" e "pode desencadear uma aceleração na maior parte da dívida do grupo, exercendo assim uma maior pressão sobre a liquidez limitada da empresa para enfrentar os vencimentos de dívida significativos ao longo dos próximos doze meses e, ao mesmo tempo, financiar suas altas necessidades de capital", afirmou a agência, em um comunicado.

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