Empreiteiras negociam para entrar em Belo Monte

Pelo menos quatro grupos, entre eles Andrade Gutierrez, individualmente, e um consórcio entre Odebrecht e Camargo Corrêa, estão interessados

Leonardo Goy / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

17 de julho de 2010 | 00h00

O presidente do consórcio responsável pelo projeto da usina de Belo Monte (PA), José Ailton, que também é diretor da Chesf, disse ontem que há pelo menos quatro grupos de empreiteiras negociando com o consórcio Norte Energia o contrato para executar a obra de construção da hidrelétrica.

Segundo ele, fizeram propostas a Andrade Gutierrez, individualmente; um consórcio formado entre Odebrecht e Camargo Corrêa; outro consórcio formado por Queiroz Galvão e OAS; e outro grupo integrado pelas demais construtoras e empresas de engenharia que integram a Sociedade de Propósito Específico (SPE) formada pelos vencedores do leilão. Essas empresas são, segundo ele, a Galvão Engenharia, Mendes Júnior, Contern Construções, Serveng, J.Malucelli e a Cetenco Engenharia.

As construtoras que se associaram ao consórcio também podem ser contratadas pelo mesmo consórcio como executoras da obras.

"Estamos em plena negociação com os fabricantes de equipamento e as construtoras", disse Ailton. Ele afirmou que também estão em pleno vapor as negociações para o fornecimento das turbinas da hidrelétrica.

Nessa disputa, há um consórcio batizado de consórcio europeu que inclui três empresas com fábrica no Brasil. São elas: Alston, Voith Siemens e Andritz. Outro interessado é a empresa argentina Inpsa e há ainda propostas de um grupo japonês e outro russo.

Cronograma. José Ailton acredita que conseguirá iniciar já em setembro a instalação do canteiro de obras da hidrelétrica. Em entrevista por teleconferência, ele afirmou que o grupo entregou ontem à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) o cronograma das obras.

"Mantivemos o calendário do edital. A primeira máquina começará a gerar energia em outubro de 2015", disse. Segundo ele, no início de agosto, o consórcio encaminhará ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) o pedido da licença ambiental provisória para o canteiro de obras. "Já estamos negociando com o Ibama, fazendo reuniões semanais. Mas só podemos pedir a licença depois que o Projeto Básico Ambiental estiver pronto. Devemos conclui-lo no início de agosto", afirmou.

A partir daí, a expectativa dele é que o Ibama libere até o fim de agosto a licença do canteiro para que as primeiras instalações comecem a ser feitas em setembro.

O diretor da Chesf acredita que a licença de instalação definitiva, que autoriza o restante do projeto, deverá sair em novembro mas, como a região do Xingu estará em período chuvoso, o início das obras civis mais pesadas deverá ficar para abril ou maio do ano que vem.

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou ontem a Sociedade de Propósito Específico (SPE) que vai construir e operar a usina. A agência aprovou todos os novos sócios, chamados de sócios estratégicos, que aderiram ao projeto após o leilão.

Formação. O formato oficial da SPE é o seguinte: Eletrobrás (15%), Chesf (15%), Eletronorte (19,98%), Petros (10%), Bolzano Participações (fundo formado Previ e Iberdrola, com 10%), Funcef (2,5%), Caixa FI Cevix ( parceria da Funcef com Engevix, tem 5%) J. Malucelli Energia (0,25%), Gaia (9%), Sinobras (1%), Queiroz Galvão (2,51%), OAS (2,51%), Contern Construções (1,25%), Cetenco Engenharia (1,25%), Galvão Engenharia (1,25%), J. Malucelli Construtora (1%) , Mendes Júnior (1,25%) e Serveng (1,25%).

Considerando as estatais e os fundos de pensão, sobre os quais o governo exerce influência, a participação estatal no projeto, direta e indireta, é de pelo menos 62%.

Cálculo

R$ 19 bilhões é a previsão oficial do custo final da Hidrelétrica de Belo Monte, no Pará

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