Empresa aposta em turismo nas ciclofaixas de São Paulo

Negócio já fatura mais de R$ 1 milhão ao levar turistas para a Europa e agora oferece serviço semelhante na capital

RENATO JAKITAS, O Estado de S.Paulo

18 de dezembro de 2012 | 02h07

O interesse do paulistano pelas ciclofaixas, que só abrem aos finais de semana e feriados e chegam a atrair 120 mil pessoas por dia, despertou a atenção da empresária Adriana Kroehne, dona da Bike Expedition. Ela acaba de lançar um passeio monitorado pela capital paulista e usa como rota um percurso de 30 quilômetros pelo centro da cidade.

Os alvos de Adriana são empresas em busca de ações de relacionamento para executivos e clientes - brasileiros ou não. A ideia, diz ela, é marcar posição em um setor cuja demanda começou a ganhar corpo nos últimos seis anos por conta da tendência de usar a bicicleta como alternativa de transporte nas cidades.

"Esse é um produto com demanda no mundo inteiro, mas que sempre foi inviável em São Paulo por falta de estrutura", afirma Adriana, que há onze anos organiza pedaladas para turistas brasileiros na Europa.

O novo negócio ainda ocupa espaço incipiente nos resultados obtidos pela empresa, que neste ano vai faturar R$ 1,2 milhão após levar 30 grupos de até 12 pessoas a destinos como a Provença, região localizada no sudeste da França. No entanto, segundo a empreendedora, o investimento em São Paulo é visto como saída para quem planeja avançar em escala e reduzir o alto impacto da sazonalidade, um problema sério no segmento.

"Na Europa a gente trabalha de maio a setembro, durante a primavera e o verão de lá. Do outono ao inverno não conseguimos trabalhar. Então, são 12 meses de contas a pagar e seis meses de faturamento. Buscar receita no Brasil é uma alternativa para crescer com um custo menor", destaca Adriana.

Lançado há menos de um mês, o passeio por São Paulo dura três horas e custa R$ 180, incluindo o empréstimo da bicicleta, os acessórios e regalias como frutas, isotônicos e até um veículo para que os mais cansados possam relaxar, caso necessário.

O produto é vendido por uma rede de 300 agências de turismo que já trabalham com os pacotes internacionais da empresa. Dois grupos já se interessaram pelo serviço. E um outro, com cerca de 300 pessoas, está organizando uma saída para janeiro.

"A dinâmica não é diferente dos passeios na Europa", conta Adriana, que não gastou nada para lançar o produto. "O que teria de investir, para conhecer o mercado, entrar nas agências, isso tudo a gente já tem", destaca.

Negócio. Para Andrea Nakane, coordenadora da graduação de turismo da Universidade Anhembi Morumbi, a aposta em faturar com pedaladas por São Paulo tende a ser um negócio promissor, embora a empresa de Adriana Kroehne arque com os ônus de começar o modelo de negócio no Brasil. "É um mercado a ser iniciado. A gente acredita que a evolução do cicloturismo demora a acontecer no País por conta da falta de infraestrutura. Mas é uma forte tendência no desenvolvimento de produtos turísticos", afirma.

Segundo ela, há uma expectativa entre especialistas que o País, à sua maneira, siga o que acontece principalmente na Ásia e Europa, onde o uso de bicicletas no turismo é disseminado. "A ciclofaixa deve ajudar nesse movimento. A gente brinca que visitar Amsterdã e não passear na cidade sobre as duas rodas da bicicleta é como ir a Roma e não ver o Papa", afirma.

Segundo a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), São Paulo tem 230 quilômetros de malha cicloviária. Números do Ministério das Cidades apontam para 2,5 mil quilômetros de ciclovias e ciclofaixas no Brasil para 75 milhões de bicicletas.

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