Empresa chinesa tenta revender carga de soja brasileira aos EUA

Redução na demanda da China por causa da gripe aviária leva importadora a buscar comprador fora do país e reduzir prejuízo

PEQUIM, O Estado de S.Paulo

21 de março de 2014 | 02h07

Uma grande empresa chinesa compradora de soja está tentando revender carregamentos que serão importados do Brasil em abril e maio, em meio a uma redução de demanda na China por causa da gripe aviária. A expectativa é de que os Estados Unidos receberão os carregamentos, disse um executivo da companhia.

A importadora chinesa está negociando para revender cinco ou seis carregamentos de soja brasileira, de cerca de 360 mil toneladas, ao mercado americano, onde os estoques ficaram apertados por causa do inverno rigoroso e recentes compras da China, disse a fonte, falando sob a condição de a empresa não ser identificada.

"Ainda estamos negociando preços. Eu acredito que todas as cargas serão vendidas ao mercado dos EUA - é só uma questão de preço", disse o executivo, acrescentando que a companhia já havia revendido aos EUA quatro carregamentos de soja da América do Sul com embarque no fim de março. Os carregamentos geralmente são de 55 mil a 60 mil toneladas.

A oferta extra nos EUA pode pressionar os preços na bolsa de Chicago, onde o contrato para entrega em maio subiu cerca de 3% últimos três dias. Os compradores na China, maior país importador de soja, já cancelaram até 600 mil toneladas em carregamentos de soja da América do Sul para embarque entre março e maio, por conta das margens negativas no esmagamento, em meio a uma demanda fraca, disseram operadores na semana passada.

O executivo disse que, ao vender ao mercado dos EUA, iria conseguir reduzir suas perdas para abaixo de 100 yuans (US$ 16,14) por tonelada, comparado a cerca de 600 a 700 yuans que perderia vendendo a soja no mercado chinês. EUA e Brasil são os maiores produtores globais de soja, com a China comprando cerca de 60% de todo o volume negociado no mundo.

A China normalmente se volta à América do Sul em busca de soja a partir de fevereiro, mas preocupações com o congestionamento nos portos e eventuais atrasos da colheita no Brasil fizeram a China agendar um volume maior de carregamentos dos EUA para março.

Gripe aviária. A demanda chinesa por farelo de soja, usado na alimentação de aves e principal produto do esmagamento da soja, foi afetada por surtos de gripe aviária, o que fez o apetite pelo ingrediente da ração cair em 20% a 30% em fevereiro e março comparado com meses normais, segundo analistas.

Um surto de gripe aviária em janeiro na província de Guangdong, no sul do país, forçou granjas a reduzirem a recomposição de estoques, após grandes perdas no ano passado, quando milhões de aves foram abatidas.

As importações de soja pela China no primeiro trimestre do ano estão previstas para atingir um recorde trimestral de quase 16 milhões de toneladas, com grandes vendas dos EUA, segundo dados de um centro de pesquisas oficial da China.

"Não podemos cancelar carregamentos dos Estados Unidos que já estão no mar", disse o executivo da importadora chinesa. Ele acrescentou que os compradores chineses têm tentado atrasar as entregas de até 30 carregamentos da América do Sul em um mês, a partir de março. / REUTERS

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