Empresa de Eike desiste de poços de petróleo e mercado vê risco de calote

OGX anuncia que pode parar de produzir no seu principal projeto, o campo Tubarão Azul, na Bacia de Campos; ações caem 29,11% e valor dos títulos da dívida desaba, atingindo patamar considerado de alto risco de calote pelos investidores

Mariana Durão, Mônica Ciarelli, Sabrina Valle, Vanessa Stecanella, Wellington Bahnemann, Fatima Laranjeira, Beth Moreira, O Estado de S.Paulo

02 de julho de 2013 | 02h05

A agonia da OGX, petroleira que funciona como empresa-âncora do grupo de Eike Batista, teve ontem um capítulo surpreendente: em fato relevante divulgado ao mercado, a empresa informa que sua principal aposta de receita, o campo Tubarão Azul, na Bacia de Campos, que iniciou produção em 2012, pode parar de produzir em 2014. A notícia derrubou as ações de todas as empresas de Eike e alimentou boatos de que a empresa está perto de renegociar suas dívidas.

O papel da OGX terminou o pregão cotado a R$ 0,56, com queda de 29,11%. Girando em negócios do dia R$ 200 milhões, a petroleira arrastou as demais empresas X, contaminou outras companhias, como a Petrobrás, e o próprio Ibovespa, que fechou o dia em queda de 0,48%.

 

Os títulos da dívida da OGX foram negociados ontem a 20% do valor de face, o que significa, na prática, que os investidores avaliam que há um risco alto de calote (leia mais na pág. B6).

"Pela manhã, as ações chegaram a cair 40%. A coisa está preta", disse Adriano Pires, do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), depois que negociações com ações da OGX foram suspensas sucessivas vezes.

Em relatório, assinado pelos analista Luiz Francisco Caetano, a corretora Planner questiona se esse é o fim da história da OGX. Ele destaca que os ativos que todos esperavam que fossem produtivos, na verdade, são inviáveis.

"A OGX tem outros ativos que podem ser interessantes, porém precisam de recursos para ser desenvolvidos, que neste momento não existem", afirma o analista da Planner.

Projetos. Além de Tubarão Azul - que até o início da crise, em junho do ano passado, era considerada a estrela da OGX, com estimativa de 110 milhões de barris de petróleo que a empresa poderia retirar do reservatório -, também foram revistos os projetos de Tubarão Tigre, Tubarão Gato e Tubarão Areia, na mesma Bacia de Campos.

Na esteira das más notícias, a OSX teve revelado que cinco contratos de plataformas foram sustados. Sem a expectativa de produção inicialmente informada ao mercado, não haveria necessidade de tantos equipamentos encomendados ao estaleiro. Resultado: as ações da OSX caíram 5%. Também se destacaram entre as maiores quedas a CCX (-16,48%), LLX (-10,10%), MMX (-9,42%) e MPX (-4,64%).

A OGX disse ter concluído "análise detalhada" do comportamento dos três poços do campo de Tubarão Azul desde o início da produção e concluiu que não existe, no momento, "tecnologia capaz de viabilizar economicamente qualquer investimento adicional nesse campo visando a aumentar o seu perfil de produção". A mesma explicação foi usada para os outros campos. A justificativa foi questionada por geólogos (leia mais na pág. B4).

Com dificuldade de caixa, já que a receita que gera com a venda do volume de óleo e gás produzido está muito abaixo do que necessita para manter seus investimentos, a OGX ainda terá de arcar imediatamente com o pagamento de US$ 449 milhões à OSX. Pelo acordo, aproximadamente 70% desse montante será empregado no pagamento de custos de construção de duas plataformas FPSO OSX-3 e WHP-2, que não tiveram contrato suspenso. A empresa também arcará com o aluguel da FPSO OSX-2, que seria utilizada em Tubarão Azul, a partir de janeiro de 2014.

A dificuldade de caixa torna imprescindível a injeção de US$ 1 bilhão prometida por Eike (opção de "put"), mas o mercado considera cada vez mais improvável que o compromisso seja honrado. Procurada, a OGX não respondeu a questionamentos. Limitou-se a informar que a opção "continua viável" e sob análise.

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