Tiago Queiroz/Estadão - 13/11/2020
Tiago Queiroz/Estadão - 13/11/2020

Empresa de energia solar Renovigi se expande para o Nordeste e quer abastecer carros elétricos

Especializada na montagem de painéis em casas, fazendas e comércio, a companhia deve faturar R$ 850 milhões este ano acompanhando o avanço da fonte de geração de energia

Denise Luna, O Estado de S.Paulo

17 de novembro de 2021 | 15h00

RIO - Há menos de dez anos, gerar energia no telhado da própria casa era impensável no Brasil. A partir de 2012, alguns pioneiros acreditaram na fonte que agora é candidata a ser a número 1 no fornecimento de energia nos próximos 30 anos, levando em conta a necessidade da redução de emissões de gases efeito estufa (GEE) e da escassez de chuvas. A Renovigi - que quer dizer renovável em esperanto - foi um deles e hoje vê seu faturamento disparar. A empresa está expandindo suas operações para o Nordeste e aposta no crescimento da eletromobilidade abastecida apenas pelo sol no País.

Especializada em montagem de painéis para instalações em telhados, fazendas e comércio, a empresa nasceu com investimento inicial dos sócios em Chapecó (SC) e hoje conta com mais um centro de operação em Louveira (SP). Apesar de já abastecer o País inteiro com painéis solares, montados a partir de equipamentos importados da Ásia, o modal rodoviário tem encarecido a operação no Brasil, enquanto a demanda não para de crescer. A solução foi ficar mais perto do mercado. 

Em 2020 o faturamento saltou para R$ 600 milhões e este ano deve atingir R$ 850 milhões. Em 2022 a expectativa é ultrapassar R$ 1 bilhão, segundo o presidente da Renovigi, Gustavo Müller Martins. Os números seriam ainda maiores não fosse a falta de equipamentos para importação em alguns momentos da pandemia e a desvalorização do real, disse. Mesmo assim, as perspectivas para o segmento não poderiam ser melhores.

“No ano que vem a gente volta a pisar forte no acelerador e pretende crescer no mínimo 40%. A gente conseguiu se adaptar e o mercado também, mas ainda existe desafio, é a oferta com alta demanda, preço subindo, a gente tem encarecimento da matéria-prima, além do dólar, que no Brasil impacta o negócio”, disse Martins ao Estadão/Broadcast, prevendo pelo menos 15 anos de forte crescimento da energia solar no Brasil.

A energia solar pela geração distribuída vem dobrando ano a ano no Brasil. De 591 megawatts (MW) em 2018, pulou para 2,1 mil MW em 2019, 4,8 mil MW em 2020 e até novembro somava 8 mil MW. Para 2022, a projeção é de uma aceleração ainda maior em razão da continuidade do encarecimento das tarifas de energia. Somada aos grandes parques centralizados (energia vendida nos leilões, a geração pelo sol no Brasil já conta com 12 mil MW instalados, cerca de 2% da matriz elétrica brasileira.

O crescimento do mercado levou a Renovigi a investir R$ 30 milhões em uma nova montadora próxima ao Porto de Pecém, no município de São Gonçalo do Amarante (CE). O projeto atrasou por causa da pandemia, mas será inaugurado no mês que vem, segundo Martins.

“O objetivo é receber o material da Ásia no Porto de Pecém, que vem crescendo e já tem uma cadeia interessante de navios que estão entregando materiais lá. Vamos montar os kits (de sistemas solares) bem próximo ao porto, para distribuição no Nordeste. A gente, com isso, vai ganhar eficiência, tempo de entrega, redução dos custos internos, que são basicamente os custos rodoviários”, explicou.

Carros elétricos

Outra aposta da empresa é a integração da energia solar com os carros elétricos, que começam a crescer no Brasil e são apontados como uma das principais soluções para reduzir o aquecimento do planeta, já que o transporte é um dos maiores responsáveis pela emissão de gases efeito estufa. De acordo com Martins, se o País de uma hora para outra atingisse 30 milhões de automóveis elétricos - hoje não chegam a 1 milhão - seria necessário uma nova Itaipu para abastecê-los.

“Como é impossível construir outra Itaipu, a gente aposta que o caminho vai ser pela energia solar, que é energia limpa. Faz todo sentido que o carro seja abastecido com energia elétrica não poluente. Se eu tiver que carregar meu carro com usina a carvão, não faz sentido”, ressaltou.

 

Apresentado em uma feira do setor este ano, o equipamento que integra a geração solar distribuída da casa ao carro vai ser lançado no ano que vem. Batizado de RenoCharge e com custo que varia de R$ 8 mil a R$ 20 mil, o equipamento é um recarregador AC de baterias de veículos elétricos e/ou híbridos plug-in desenvolvido em parceria com a Incharge, empresa brasileira que fabrica carregadores para mobilidade elétrica. 

Testes feitos pela empresa comprovaram que o equipamento aumenta a autonomia dos carros elétricos com um curto tempo de recarga, dependendo da potência instalada. “Nosso negócio vai ser vender os carregadores da integração da casa ao carro, o equipamento vai estar interligado na casa, no shopping, na loja, no telhado, no terreno. Os painéis jogam a energia solar direta para o carro”, destacou.

Martins acredita que o carro elétrico vai ser o veículo do futuro para as regiões urbanas, com muitas cidades europeias já proibindo a circulação de carros a combustão (combustíveis fósseis), o que deve chegar ao Brasil no médio e longo prazos. Ele inclui na conta os "carros voadores" da Embraer, que devem chegar ao mercado a partir de 2026.

“Tudo isso deve levar à opção para eletrificação e a solar tem tudo a ver com isso”, disse. “O futuro é bem melhor que o presente. Estamos na fase de mudança de paradigmas, mas vai ser bem melhor para as novas gerações.”

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