Empresa de etanol ligada à GM busca parceria no Brasil

Coskata, uma das líderes na pesquisa da nova tecnologia, começa neste ano a produzir o etanol de segunda geração

Cleide Silva, O Estadao de S.Paulo

30 de maio de 2009 | 00h00

Com uma fábrica-piloto já em testes na Pensilvânia (EUA), a Coskata iniciará no segundo semestre a produção de etanol de segunda geração derivado de diferentes tipos de dejetos, como grama, palha de milho e cana, restos de pneus, plásticos e madeira. A empresa informa que seu processo produtivo é inédito e que busca parceiros no Brasil para joint venture ou licenciamento de sua tecnologia.O objetivo da empresa é vender o etanol no mercado americano por menos de US$ 1 o galão, ante US$ 2,50 a US$ 2,80 cobrado pela gasolina, que há um ano chegou ao pico de US$ 4. Com o fomento do uso, o etanol pode se transformar em commodity, o que facilitaria a exportação do produto brasileiro, aqui chamado de álcool.No Brasil, explica o diretor de marketing e relações governamentais da Coskata, Wesley Bolsen, a vantagem seria o uso do bagaço da cana, subproduto da própria produção do álcool. Nos EUA, a empresa está fechando parceria com a companhia US Sugar Corporation para criar "a maior fabricante de etanol de celulose usando folhas da cana de açúcar e bagaço". Também já ocorreram conversas com a Petrobrás.A General Motors é sócia da Coskata nos EUA e será a primeira montadora a utilizar em seus automóveis o etanol produzido pela Coskata. "Queremos retirar o automóvel do debate ambiental", diz o Pedro Bentancourt, gerente de relações com a indústria da GM do Brasil ao explicar a parceria da matriz, anunciada em 2007. "Mesmo que a sede americana entre em concordata, os planos conjuntos não serão alterados, pois os investimentos já foram feitos", informa Bentancourt.Segundo Bolsen, com uma tonelada de dejetos orgânicos é possível obter 400 litros de etanol, eficiência próxima à obtida na produção com cana-de-açúcar e superior ao obtido com milho, hoje a principal matéria-prima usada nos EUA.A diferença maior, informa Bolsen, está na obtenção do produto final. Com o método Coskata - cuja tecnologia é mantida em segredo -, o resultado é 50% a 60% de etanol concentrado. Com a cana, a concentração é de cerca de 20%, próximo ao obtido com o milho, que tem como desvantagem maior uso de água. O processo da Coskata usa menos de um litro de água por galão de etanol, enquanto o milho e outros cereais precisam de três a quatro litros.Nos EUA, o etanol é usado apenas como mistura à gasolina, numa proporção de 85%. Veículos movidos com esse combustível são chamados de E85. O país tem cerca de 4 milhões desses carros, menos de 2% da frota circulante. O galão dessa mistura custa entre US$ 1,60 e US$ 1,95, mas está disponível em poucos postos."As principais tecnologias da Coskata são os micro-organismos e o projeto do biorreator, ainda não patenteado", afirma Bolsen. "O objetivo da empresa é desenvolver, na produção de biocombustível com gasogênio, uma vantagem competitiva sustentável no longo prazo." As emissões no processo de produção e também no uso do etanol são inferiores aos demais processos e combustíveis, diz. Criada em 2006, a Coskata tem entre seus parceiros, além da GM, a empresa de capital de risco Khosla Ventures (de Vinod Khosla), entre outras.

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