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Empresa do Casino quer captar US$ 2 bi nos EUA

Cnova, que reúne negócios de e-commerce do grupo francês, incluindo site da Casas Bahia, protocolou pedido na CVM americana para listar ações na Nasdaq

Mônica Scaramuzzo, O Estado de S.Paulo

05 de junho de 2014 | 02h06

A Cnova, empresa de e-commerce global criada a partir da união dos ativos do Grupo Pão de Açúcar e Casino, protocolou ontem registro de oferta pública na SEC (Securities and Exchange Commission), órgão equivalente à CVM nos Estados Unidos. A expectativa é de que a nova companhia levante na Nasdaq, onde estão listadas companhias de tecnologia, cerca de US$ 2 bilhões com oferta primária de ações no segundo trimestre, informaram fontes ao 'Estado'.

A composição da nova gigante do comércio eletrônico, com vendas brutas combinadas em 2013 de US$ 4,9 bilhões, ficará em 53,5% com GPA e Via Varejo (29% com Pão de Açúcar e 23,5% Via Varejo) e 46,5% com Casino, incluindo sua subsidiária Exito. No mercado, a expectativa era de que o grupo francês ficasse com maior fatia, uma vez que a rentabilidade da Cdiscount (empresa de comércio eletrônico do Casino) é maior que a da NovaPontocom (controlada pelo GPA e Via Varejo). A empresa nacional, contudo, tem um potencial de crescimento maior.

O valor de mercado dessa nova empresa pode alcançar entre US$ 8 bilhões e US$ 10 bilhões, segundo fontes.

A união dos ativos das companhias para a criação de uma das maiores empresas de e-commerce do mundo foi anunciada no dia 6 de maio e estava sujeita à aprovação dos conselhos de administração de GPA, Via Varejo, Casino e Exito. Menos de um mês depois, a operação foi aprovada para a criação da companhia, que terá sede na Holanda, e negociar cerca de 9,2 milhões de produtos.

A Cnova será uma grande participante global de comércio eletrônico, com presença no Brasil com os sites Extra.com.br, CasasBahia.com.br e Pontofrio.com.br, operados pela Nova Pontocom, e no mercado externo, com Cdiscount na França, Colômbia, Tailândia e Vietnã. GPA e Via Varejo concordaram em licenciar por 20 anos as marcas Extra, Ponto Frio e Casas Bahia.

O sucesso da Cnova terá como base um modelo de negócios de baixo custo com preços atraentes e variedade de produtos, com soluções altamente diferenciadas de entrega e de pagamento, informou a companhia por meio de um comunicado, sem dar mais detalhes, por estar em período de silêncio.

Os recentes movimentos de IPO nos Estados Unidos, como a entrada de gigantes da internet, indicam que as apostas do mercado por papéis dessas companhias são grandes. A chinesa varejista on-line JD.com, rival da Alibaba, levantou US$ 1,78 bilhão no dia 22 de maio com uma venda inicial de ações. A expectativa é de que a própria Alibaba bata recordes de mercado, superando até o Facebook.

Gestão. A Cnova terá gestão compartilhada pelos executivos German Quiroga, presidente da Nova Pontocom, e Emmanuel Grenier, à frente da Cdiscount, que vão se alternar na função de membro do conselho de administração. De acordo com comunicado do GPA, o primeiro conselho de administração da Cnova será composto por nove membros - um dos copresidentes da Cnova; dois conselheiros nomeados pela GPA; um da Via Varejo; três conselheiros indicados pelo Casino, entre os quais Jean-Charles Naouri, presidente do conselho e CEO do Casino, que será nomeado presidente do Conselho de Administração; e dois conselheiros independentes.

Sob o comando do grupo francês Casino, os negócios do GPA mostram-se agressivos. Um dos passos mais recentes - a oferta secundária da Via Varejo, divisão de eletroeletrônicos e móveis do GPA - movimentou R$ 2,845 bilhões no fim do ano passado. Foi a segunda maior transação do mercado acionário brasileiro em 2013, atrás do BB Seguridades.

Fontes de mercado afirmam que a família Klein, que fundou a Casas Bahia e é sócia da Via Varejo, pode não exercer o direito de venda de suas ações, previstas para este mês, sinal de uma aposta nessa nova gestão.

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