Empresa do vice de Lula lucra R$ 167 milhões e critica juros

A Coteminas, empresa controlada pela família do vice-presidente da República, José Alencar, fez as mesmas críticas que ele têm feito à política econômica do governo federal, principalmente em relação aos juros altos. "A insistência das autoridades monetárias na política de juros altos levou à desnecessária queda do PIB, aumento do desemprego e à significativa perda de renda da população", diz o relatório da administração ao analisar a economia em 2003. Segundo o balanço divulgado hoje, a empresa registrou lucro líquido de R$ 167,398 milhões em 2003, com alta de 8,54% sobre o lucro de R$ 154,222 milhões em 2002. A receita líquida cresceu 24,06%, para R$ 1,118 bilhão. No dia 31 de dezembro, o patrimônio líquido era de R$ 1,382 bilhão. Os dados são consolidados. Depois de avaliar que "as dificuldades herdadas do período anterior exigiram postura conservadora, particularmente no primeiro trimestre", o documento destaca que o governo respondeu com política fiscal austera e arrocho na política monetária a um cenário marcado pela guerra do Iraque, recrudescimento dos índices de inflação e a redução dos fluxos de capitais. No entanto, a Coteminas argumenta que os resultados do controle inflacionário e do restabelecimento do financiamento externo "vieram rapidamente e justificariam o relaxamento do torniquete monetário, já a partir do mês de abril ou maio". Além de condenar o aperto monetário por um período que considerou desnecessário, a Coteminas ressalta que o esforço fiscal foi mais que consumido pelas despesas com juros da dívida pública. "Estas (despesas) somaram 145 bilhões de reais em 2003, ou o equivalente a 9,5% do PIB, enquanto o esforço para a obtenção de superávit primário redundou em economia de 66 bilhões de reais ou 4,3% do PIB, menos da metade dos gastos com juros", afirma o relatório.

Agencia Estado,

31 Março 2004 | 20h32

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