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Empresa dos EUA vê aumento da confiança no Brasil

O bom desempenho na condução da transição política para o novo governo está deixando os investidores estrangeiros mais confiantes em relação ao Brasil, segundo o presidente da Allen Global Holdings, Neil Allen, empresa que assessora investidores e corporações com foco em fusões e aquisições de empresas na América Latina. "Temos um número de operações em que estamos trabalhando ao longo deste ano e virtualmente quase todas devem avançar, levando ou não à compra de empresas", disse à Agência Estado. "Quem estava interessado no Brasil antes das eleições certamente está mais interessado agora que as perspectivas estão mais claras para o País".Segundo ele, o aumento da taxa de juros para 22%, decidida na quarta-feira pelo Banco Central brasileiro, "apesar das preocupações de parcela no mercado com a dívida, não fará os investidores mudarem de opinião em relação ao País." Allen disse que o fluxo de investimentos diretos de estrangeiros deverá atingir um volume moderado em 2003. "As pessoas perceberam que o Brasil não está nem próximo da mesma situação que a Argentina. Além disso, com o câmbio neste nível, os ativos estão relativamente baratos no Brasil", disse.Ele afirmou que o presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva, tem dois desafios pela frente. O primeiro é continuar construindo a confiança tanto domesticamente quanto dos investidores estrangeiros. "Ao adotar as medidas corretas, em termos de política econômica, o novo governo ganhará mais confiança, que por sua vez o ajudará a lidar com o câmbio e com a taxa de juros, ao gerar um ciclo virtuoso. Mas, se não adotarem as medidas corretas, então o novo governo terá de enfrentar muita dificuldade com a dívida do País", disse.Segundo ele, até o momento, Lula tem realizado um bom trabalho ao não fazer declarações que amedrontem os mercados. "Esperamos que a equipe econômica seja composta por nomes respeitados pelo mercado e que criem confiança", afirmou. Para Allen, se o novo governo conseguir avançar na agenda econômica, conquistando assim a confiança dos investidores domésticos e estrangeiros, o Brasil poderá enfrentar sem grandes prejuízos um eventual cenário externo adverso, como uma possível guerra contra o Iraque e desempenho fraco das bolsas globais, o que agravaria o sentimento de aversão ao risco."Em 2002, a economia brasileira pagou um preço alto pelos eventos externos e também pela ignorância de investidores e analistas estrangeiros sobre o que estava acontecendo no Brasil no processo político. Houve um exagero", disse Allen.

Agencia Estado,

21 de novembro de 2002 | 16h44

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