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Renato Cruz
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Empresa e universidade

A parceria entre empresa e universidade é uma ferramenta importante de inovação, para que se consiga transformar conhecimento em dinheiro. Mas está longe de ser uma tarefa fácil. Empresa e universidade têm métodos de trabalho e objetivos divergentes.

RENATO CRUZ, O Estado de S.Paulo

20 de outubro de 2013 | 03h21

O trabalho da universidade pode levar anos para gerar resultado. A empresa precisa apresentar resultados trimestrais para acionistas. O indicador importante para a universidade são os papers publicados. A empresa guarda segredos para que não seja copiada por concorrentes.

Já ouvi histórias boas e ruins sobre relacionamento entre universidade e empresa. Algumas ruins a ponto de a empresa desistir de pesquisas em parceria com a universidade. As histórias de sucesso costumam ter pelo menos dois pontos em comum: uma boa definição de prazos e de objetivos, do que é publicação científica e do que é segredo industrial, e um bom gerenciamento de projeto, para que prazos sejam cumpridos e objetivos alcançados.

Conversei recentemente com Jorge Gallo, gerente de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I) da Alcoa América Latina e Caribe. A Alcoa já tem uma parceria de 20 anos com a Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), em que foram investidos cerca de R$ 5 milhões em projetos como o desenvolvimento de novos materiais refratários, para serem usados na produção de alumínio. Existe até um Edifício Alcoa na UFSCar.

Em projeto mais recente, feito com a UFSCar e a Escola Politécnica da USP, a empresa investiu mais R$ 1 milhão para pesquisar o uso de resíduo de bauxita na produção de cimento. Esse resíduo resulta da extração de alumina (matéria-prima do alumínio) da bauxita.

A pesquisa da aplicação do resíduo de bauxita na produção de cimento tem potencial para ser usada mundialmente pela corporação. Segundo Gallo, a Alcoa tem conversado com empresas do setor de cimento para que participem desse projeto. Como produtora de alumínio, a Alcoa gasta dinheiro para que esse resíduo de bauxita não contamine o ambiente. A ideia por trás da pesquisa é transformar essa fonte de despesa em fonte de receita.

Além de reuniões periódicas de acompanhamento da equipe de PD&I da Alcoa com os pesquisadores da universidade, o relacionamento entre empresa e academia é reforçado com profissionais da Alcoa que cursam mestrado e doutorado na universidade parceira e com pesquisadores que se tornam bolsistas da companhia. Isso faz com que as pessoas entendam melhor cada ambiente, o que beneficia o diálogo.

Apesar da parceria antiga com a universidade, a área de PD&I da Alcoa no Brasil foi criada recentemente, em 2010. E tem quatro focos: materiais, clientes, energia e meio ambiente. No mundo, a empresa investe 0,83% do faturamento em PD&I.

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