Empresa formada pela Sadia e Perdigão poderá lançar ações

Caso a Perdigão aceite a oferta de compra das ações feita pela Sadia, a empresa formada a partir deste negócio pretende realizar algumas operações a fim de reduzir o endividamento. O anúncio foi feito hoje pelo presidente do conselho de administração da Sadia, Walter Fontana. Segundo ele, para atingir este objetivo, alguns instrumentos estão sendo cogitados, como emissão de debêntures (títulos emitidos pela empresa para captação de recursos em troca de um prêmio em juro) e até mesmo a chamada de capital, que pode incluir lançamento de ações. A Sadia quer comprar 100% das ações da Perdigão por R$ 3,7 bilhões e tornar-se um grande competidor mundial na produção de carnes e suínos industrializados. O objetivo é enfrentar gigantes do setor, como a americana Tyson Foods, que fatura US$ 26 bilhões e ameaça chegar ao Brasil.Hoje a empresa faz uma oferta pública de mercado para adquirir no mínimo 50% mais uma das ações da Perdigão. É a primeira vez no mercado brasileiro que uma companhia faz uma oferta pública por outra.A Sadia está disposta a pagar R$ 27,88 por ação, o que representa um prêmio de 35% sobre a média dos preços dos papéis da Perdigão nos últimos 30 dias, conforme a regra acertada com a entrada da empresa no Novo Mercado Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). A maior parte dos recursos (R$ 2,7 bilhões) virá de um empréstimo do banco ABN Amro. A Sadia tem mais R$ 1 bilhão em caixa para usar na proposta.O prazo máximo para que os acionistas da Perdigão dêem sinal verde à transação é 24 de outubro. Se o negócio se confirmar, nascerá uma gigante do setor de aves e suínos, com receitas líquidas de R$ 12 bilhões, 26 fábricas, 81 mil funcionários e 16 mil produtores integrados. Metade do faturamento da nova companhia virá das exportações. Atualmente, tanto Sadia como Perdigão exportam para cerca de cem países.Posição dos acionistasFontana esclareceu que conversou na noite de ontem, antes do anúncio da oferta pública de aquisição de ações da Perdigão, com o presidente da empresa, Nildemar Secches, e com o presidente do conselho de administração, Eggon João da Silva, para comunicar a intenção da companhia. De acordo com Fontana, a conversa foi cordial, porém Secches disse que o assunto terá de ser tratado pelos acionistas.O executivo da Sadia comentou que não é de hoje que as empresas nutrem o sonho da união, uma vez que essa possibilidade foi aventada várias vezes nos últimos anos. Fontana disse também que conversou com o diretor de Participações da Previ - principal acionista da Perdigão, com 15,3% dos papéis -, Renato Chaves; com o presidente da Petros, Wagner Pinheiro; e com representantes dos fundos de pensão Sistel e Valia. "A reação foi de um acionista que recebe uma oferta", brincou Fontana, sem detalhar a receptividade da proposta.O diretor de Relações com Investidores da Sadia, Luiz Murat, comentou que o valor ofertado pela Perdigão, considerando as cotações de sexta-feira, representa 5% mais do que valia a própria Sadia, sendo que a empresa fatura 40% mais e tem um Ebitda 37% maior.

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