Empresa prevê um "boom" em ações de pirataria

A venda de produtos falsificados, que segundo levantamento do Departamento de Comércio dos Estados Unidos representa hoje 9% de todo o comércio global, vai saltar para 18% nos próximos dois anos. A previsão é da Carratu International, uma das principais empresas de investigação de propriedade intelectual do mundo. "Vamos ter um boom no comércio de produtos falsificados", disse Paul Carratu, diretor do grupo britânico, em entrevista coletiva à imprensa. "Esse é crime econômico que vem registrando o crescimento mais acelerado no mundo e os governos precisam tomar ações firmes para combatê-lo."Segundo Carratu, os principais setores vítimas da falsificação são os fabricantes de relógios suiços, a indústria aeroespacial, perfumes e cosméticos, máquinas pesadas, ferramentas elétricas, softwares e medicamentos. Os países que abrigam a maior parte das fábricas ilegais estão localizados na Ásia. A China é o principal centro de produção de produtos falsificados, sendo seguida por Taiwan, Malásia, Hong Kong e Cingapura. Em termos de grandes mercados consumidores para produtos falsificados, além da Ásia, a América do Sul e a África são, cada vez mais, os grandes alvos dos falsificadores. "Como a repressão aos produtos falsificados na Europa e nos Estados Unidos é mais eficiente, a tendência é que esses produtos sejam direcionados para regiões onde a atividade é menos limitada", disse. Brasil : "enorme mercado consumidor" - O Brasil, segundo Carratu, "é um enorme mercado consumidor para produtos falsificados, de todos os tipos", mas não é considerado uma grande base de fabricação. Ele salientou que ao longo dos últimos anos, multinacionais do setor farmacêutico fecharam acordos com empresas brasileiras para a fabrição de seus medicamentos patenteados. Essa estratégia, segundo ele, vem sendo seguida por outras setores industriais, como o dos artigos esportivos.Sob observação Os Estados Unidos colocaram o Brasil, no final do mês passado, em sua "lista prioritária" de nações "sob observação" por violarem direitos de propriedade intelectual. Carratu afirmou que o Uruguai é um grande "porto na América do Sul para o desembarque dos produtos fabricados na Ásia e América Central. "As autoridades uruguaias tendem a não considerar o combate a esse tipo de crime como uma de suas prioridades", disse. "O debate não é levado a sério". Carratu observou que apesar da pressão exercida pelas multinacionais e pelos países industrializados, principalmente os Estados Unidos, para que os governos sejam mais rigorosos no combate a esse comércio ilegal, as perspectivas de que isso surta algum efeito substancial no curto prazo são pequenas. Segundo ele, o debate sobre as falsificações não é levado a sério pelos consumidores, que consideram "que ninguém sai machucado, ninguém perde e que os produtos originais têm preços exorbitantes". Crime organizadoPor outro lado, muitas autoridades consideram "que as grandes empresas podem se dar ao luxo dessas perdas e que trata-se de um crime que requer um esforço muito grande para ser combatido". Além disso, os próprios países desenvolvidos possuem bases de fabrição de produtos falsificados e um amplo mercado consumidor para eles. Carratu disse que grupos terroristas estão envolvidos no mercado de produtos falsificados para financiar as suas operações. "O ETA na Espanha opera no mercado de roupas, o IRA na Irlanda do Norte vende vídeos e o Hezbollah falsifica notas de cem dólares". Ele acredita também que o crime organizado irá, cada vez mais, passar a dominar o mercado de medicamentos ilegais em vários países. "Trata-se de um negócio muito lucrativo para ser desprezado".

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