Empresa pública comprou 90% dos créditos

Para o Tribunal de Contas da União (TCU), há indícios de ilegalidade na cessão duplicada de carteiras da Caixa para a Emgea, de créditos que já tinham sido cedidos anteriormente para a mesma empresa. A Emgea é uma empresa pública criada pelo governo para absorver prejuízos dos bancos oficiais com devedores.

M.R.A., O Estado de S.Paulo

01 de agosto de 2016 | 05h00

A companhia estatal foi responsável pela aquisição de 87% das cessões da Caixa em 2014. No momento dessa operação, a Emgea passava por dificuldades financeiras provocadas, entre outros fatores, pela interrupção de renovação dos Fundo de Compensação de Variações Salariais (FCVS), uma espécie de moeda podre, pelo Tesouro Nacional.

O TCU encontrou ainda “disparidade” entre as informações do Banco Central e as da Caixa sobre o volume dessas operações. O BC possui conhecimento de 55% dos créditos cedidos, segundo o órgão de fiscalização.

O banco de investimento JP Morgan disse, na análise do balanço da Caixa de 2015, que a venda de carteiras “podres” distorceu o índice de inadimplência do banco. O índice fechou o ano passado em 3,55%, acima dos 3,26% registrados em setembro. Pelos cálculos do JP Morgan, se não fosse a venda de carteiras, o indicador teria sido de 3,89%.

“Os indícios de irregularidades até aqui identificados, associados à perspectiva de continuidade das cessões de crédito sem que sejam sanadas as falhas apontadas revelam o risco de a Caixa vir a ceder créditos classificados erroneamente como de difícil recuperação e, ainda, sem o suficiente controle pelo Banco Central”, disse o ministro Raimundo Carreiro na decisão. “Como esse tipo de cessão onerosa é feito mediante descontos superiores a 95% do valor de face do título, o risco de prejuízo torna-se evidente”, complementou.

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