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Empresa que ganhou com operação da Suzano é ligada ao Safra

Com sede em Montevidéu, a Vailly é representada no Brasil pelos executivos Marcelo Curti, diretor da J.Safra CVC Ltda, e João Inácio Puga, da diretoria do grupo Safra

Nicola Pamplona, Mônica Ciarelli e Marcelo Auler, da Agência Estado,

09 de agosto de 2007 | 20h05

Um dos investidores citados no processo que investiga o uso de informações privilegiadas na compra de ações da Suzano Petroquímica, a empresa uruguaia Vailly S.A., é ligada ao grupo Safra. Com sede em Montevidéu, a Vailly é representada no Brasil pelos executivos Marcelo Curti, diretor da J.Safra CVC Ltda, e João Inácio Puga, da diretoria do grupo Safra. A Vailly tem participação acionária relevante em pelo menos três grandes empresas brasileiras: Amazônia Celular, Bardella e Transmissão Paulista S.A. Na terça-feira à noite, a Justiça Federal bloqueou o ganho de R$ 1,5 milhão obtido por dois investidores na Bolsa de Valores de São Paulo. O lucro foi conseguido pela compra de ações da Suzano na véspera da operação de aquisição da empresa pela Petrobras. Segundo a Comissão de Valores Imobiliários (CVM), há indícios de que os dois investidores operaram com base em informações privilegiadas sobre a transação. O processo corre em segredo de Justiça e, por isso, a presidente da autarquia, Maria Helena Santana, informou que não irá revelar o nome dos envolvidos na investigação de vazamento de informação privilegiada. Mas, segundo um fac-símile publicado nesta quinta-feira, 9, pelo jornal O Globo, os investidores que tiveram recursos bloqueados são a Vailly e o operador da bolsa Antônio Carlos Reissmann, que seria da TopTrade e atuava como gestor autônomo por intermédio da Fator Corretora. Reissmann não foi localizado pela reportagem do Estado. Na Toptrade, a informação era de que as dúvidas sobre o executivo deveriam ser encaminhadas à Fator. A corretora, por sua vez, alega que apenas cedia espaço físico para as operações do gestor. Negócios da Vailly A Vailly tem escritório no edifício World Trade Center de Montevidéu, o mesmo onde está baseada a IFE Safra Uruguai, empresa do grupo Safra com atuação no país vizinho, paraíso fiscal reconhecido pelo sigilo sobre as operações das empresas que sedia. Dados do Ministério da Fazenda mostram que a Vailly tem três CNPJs no Brasil. Dois deles, abertos em 2003, indicam como procuradores no País os executivos do grupo Safra Marcelo Curti e João Inácio Puga. O terceiro, aberto em 2002 e suspenso em 2005, tinha como razão social o nome Vailly S.A Banco Safra. Em pelo menos duas ocasiões, a Vailly fez parceria com outras empresas do grupo para votações em assembléias de acionistas das companhias nas quais tem participação. Em abril, fechou bloco com a Letero Empreendimentos, Publicidade e Participações, controladora do Safra, para eleger representantes nos conselhos de administração e fiscal da Bardella. As duas companhias foram representadas pelo mesmo advogado e colocaram nos cargos dois executivos do Safra. Em assembléia da TIM Participações, em 2005, Vailly e Safra National Bank New York se abstiveram de votar para presidenta da empresa. O Estado procurou a assessoria do grupo Safra para esclarecer as relações com a Vailly, mas não obteve resposta. Já o executivo João Inácio Puga não foi encontrado em seu escritório no banco. Não há ainda informações de como a Vailly e Reissmann obtiveram antecipadamente as informações sobre o fechamento do negócio de R$ 4,1 bilhões entre Petrobrás e Suzano. Com mais de 13 subsidiárias ou coligadas no Brasil e no exterior, o grupo Safra passou recentemente por uma mudança no controle familiar, com a separação dos irmãos Joseph e Moyse Safra. Este último deixou o grupo e entregou sua parte ao irmão, que, segundo cálculos do mercado financeiro, embolsou cerca de R$ 5 bilhões para se desfazer de suas ações.

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