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Empresariado do Brasil ignora mercado indiano

Nunca o Brasil importou tantos produtos da Índia - nos últimos 20 anos, as compras daquele país, em grande parte óleo diesel, saltaram de US$ 300 mil ao ano (1985) para US$ 2,3 bilhões (2005). A participação na pauta de importação brasileira passou de pífio 0,02% para 1,63% no respectivo período. Desde 1996, quando o então presidente Fernando Henrique Cardoso visitou Nova Délhi, o Brasil passou de uma relação superavitária com os indianos para um déficit que soma US$ 227 milhões no acumulado deste ano até julho.Os números não são representativos se comparados aos valores gerais da balança comercial, que acumulava um superávit de US$ 25,1 bilhões no primeiro semestre de 2006. As importações totais somavam US$ 49,4 bilhões.Mas essas estatísticas refletem a falta de interesse do empresariado brasileiro em entrar no mercado indiano. "O empresário brasileiro muitas vezes luta contra novidades. A Índia está muito distante do Brasil e é um mercado novo para os empresários brasileiros. Eles ficam mais cautelosos, tendo que saber de que forma operam os indianos, de que forma fazem o transporte ou como fecham o câmbio", diz João Augusto Souza Lima, presidente da Federação das Câmaras de Comércio Exterior, no Rio de Janeiro.Índia, Brasil e África do Sul Líderes brasileiros e indianos terão oportunidades para melhorar o intercâmbio comercial nesta semana, em Brasília, onde acontece a reunião de cúpula do Fórum Trilateral Índia-Brasil-África do Sul (conhecido como Ibas ou G-3). Na quarta-feira, os presidentes dos três países se reúnem.Nesta terça-feira, em evento paralelo ao Fórum do Ibas na sede da Confederação Nacional da Indústria (CNI), empresários brasileiros ensaiam uma aproximação com indianos e sul-africanos.Até agora, a CNI tem encontrado dificuldades para atrair audiência para o evento de intercâmbio empresarial. "Percebemos essa falta de interesse quando organizamos reuniões bilaterais com a Índia. É mais difícil de mobilizar as pessoas", comenta José Augusto Fernandes, diretor-executivo da CNI.Um sinal da dificuldade das relações empresariais entre os países foi o fechamento da Câmara de Comércio e de Indústria Brasil-Índia, no Rio de Janeiro, neste ano.Abertura Roberto Giannetti, diretor do departamento de Comércio Exterior da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), diz que a Índia passou por um grande processo de abertura comercial nos últimos dez anos, derrubando as barreiras para importação e exportação."O comércio exterior, não apenas com o Brasil, está crescendo de 20% a 30% ao ano", diz. A Índia pode não estar entre as prioridades do empresariado brasileiro, mas o país, cuja economia cresce a passos largos no patamar de 6%, pode vir a ser um grande mercado consumidor no futuro, como a China.É o que acha o indiano Bibek Debroy, secretário-geral da Câmara de Comércio e Indústria das Regiões de Punjab, Himachal Pradesh e Délhi (PHDDCI), que reúne 1,5 mil empresas."Os problemas de distância e de logística limitam o comércio convencional entre os dois países. Há um potencial maior em relação a joint ventures, na cooperação na área de serviços, por exemplo." Índia também é exportadora de produtos agrícolas Quanto ao fato de haver um desinteresse por parte dos empresários brasileiros no mercado indiano, ele diz: "Existe provavelmente uma reação similar entre os empresários indianos. A razão para isso é que o comércio é determinado por questões históricas, há também o problema da língua e a falta de informação". "É preciso, portanto, disseminar as informações em ambos os lados. Acordos entre os governos podem ser um importante sinal", continua.Para Giannetti, existem oportunidades nas áreas de tecnologia de informação e energética, associada ao etanol, além de cosméticos, indústria de ônibus, móveis ou jóias. "Existem outras oportunidades de negócios, mas não é nenhum nirvana para a indústria brasileira", comenta. Acordos No encontro desta semana, é esperado que os líderes do G3 firmem acordos comerciais como a melhora do processo de embarque de mercadorias. Assim como tem feito ao longo do seu mandato, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve ressaltar ao primeiro-ministro da Índia, Manmohan Singh, e ao presidente da África do Sul, Thabo Mbeki, a importância do comércio Sul-Sul, isto é, entre as nações emergentes."É uma das perspectivas boas do nosso comércio exterior esse possível relacionamento com os países emergentes. Mas sem exagero, porque dois terços do comércio que o Brasil tem hoje são com os países desenvolvidos - Estados Unidos, União Européia e Japão. Tem que se priorizar o crescimento com esse comércio?, lembra Giannetti, da Fiesp.O especialista em comércio exterior Marcos Jank, presidente do Instituto de Estudos do Comércio e Negociações Internacionais (Icone), afirma que as relações entre os países ainda têm pouco impacto na balança comercial brasileira."Por enquanto, a cooperação comercial entre os países é muito pequena", afirma Jank. "O que se discute para o Ibas é preferência tarifária, e não tarifa zero. Ou seja, o Ibas é muito mais uma aproximação política do que efetivamente um bloco econômico com B maiúsculo."

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