Empresário deixava gestor agir e ia para a praia, diz Diniz

O empresário Abilio Diniz, dono do Grupo Pão de Açúcar, fez ontem um mea-culpa em nome do empresariado ao afirmar que a iniciativa privada exagerou diante de tanta oferta de crédito até meados do ano passado, pouco antes do início da crise global."Vamos ser honestos. Havia uma crença grande de que era fácil ganhar dinheiro. Hoje questionamos até o bônus dos CEOs. Nós demos muita liberdade para que fizessem o que fizeram. Tinha empresário largando a empresa na mão do gestor para ir à praia", disse.Diniz fez a afirmação na mesa ao lado do ministro da Fazenda, Guido Mantega, em encontro sobre o papel da iniciativa privada na crise, promovido ontem em São Paulo, pelo Grupo de Líderes Empresariais (Lide) e a Associação Brasileira de Agências de Anunciantes (Abap). Mais de 300 empresários participaram do encontro.Afinados com o ministro da Fazenda, que tentou levar otimismo ao encontro, os empresários trouxeram no discurso uma tentativa de reagir à crise. Prometeram crescimento nas receitas e investimentos. Um dos mais entusiasmados era Diniz, presidente do Conselho do Pão de Açúcar.Além do mea-culpa, Diniz passou um clima de tranquilidade: "Esta crise é sui generis, diferente de tudo que vivi e estudei. Mas o momento pede serenidade. Nada de medidas intempestivas. Quando sairmos da crise será um mundo muito melhor."Mantega usou dados macroeconômicos para sustentar a posição do governo de que o País vai continuar a crescer. Mas em parte da apresentação preferiu a visão do copo "meio cheio" e usou dados de período muito curtos para indicar uma recuperação da economia, por exemplo, ao citar o aumento das vendas de veículos em janeiro em relação a dezembro e o crescimento dos investimentos estrangeiros no Brasil nas últimas semanas.Ele aproveitou a oportunidade para provocar a plateia de empresários a não engavetar projetos de investimento e falou da "armadilha da parcimônia" ao se referir ao excesso de zelo dos executivos num momento de indefinições na economia global. Segundo Mantega, num momento de crise, os empresários podem preferir ficar com o caixa alto em vez de se expor. Mas, lembra, a falta de consumo e de investimento das empresas pode comprometer a geração de empregos e piorar o atual quadro econômico.O presidente da Unilever, Kees Kruythoff, também foi enfático ao afirmar que a companhia aposta na retomada do mercado brasileiro. O executivo aproveitou o encontro para lançar a campanha "A gente anda, o Brasil anda". O slogan vai estampar 1 milhão de embalagens. "Esse será um ano de muitos investimentos. O Brasil é o único país onde a crise não vai impactar tão forte", afirmou.Ivan Zurita, presidente da Nestlé, era outro entusiasta. Neste ano a multinacional vai investir R$ 350 milhões no parque industrial. Segundo ele, os negócios no Brasil são prioridade para a multinacional.Assim como Diniz, Zurita mandou um recado aos colegas: "Sugiro que os CEOs que acreditem realmente no Brasil busquem liquidez para os fornecedores com as casas-matrizes, que podem captar funding no exterior e liberar recursos no mercado interno".Márcio Schettini, vice-presidente do Itaú, espera um aumento de 16% no fornecimento de crédito em relação a 2008. "Vamos terminar 2009 com mais certezas do que terminamos 2008", disse.

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