Empresário diz que crescimento cria ciclo virtuoso

O presidente da Coteminas, Josué Gomes da Silva, afirmou que os empresários investem com o País crescendo e não o contrário, como se poderia supor. Falando ao programa Conta Corrente, da Globo News, ele citou como exemplo a China, que, segundo ele, atravessa um período de crescimento explosivo justamente por ter um histórico de crescimento. "É absolutamente essencial que o Brasil de fato volte a crescer, porque os investimentos naturalmente advirão desse crescimento", salientou o empresário, que também é conselheiro da Fiesp.A alta taxa de juros vigente leva a uma valorização do real, que, segundo o empresário, poderá vir a prejudicar as exportações brasileiras. Josué Gomes lembrou que o sistema de câmbio flutuante no Brasil é muito pressionado pela atração de capitais de curto prazo, uma vez que os juros praticados aqui são muito mais altos do que no resto do mundo. "Essa apreciação pode levar a uma perda da rentabilidade e da competitividade do setor exportador, que tem sido a verdadeira salvação da lavoura", frisou. "Uma das grandes razões da recuperação econômica neste ano é o crescimento das exportações."ArgentinaJosué Gomes da Silva comentou ainda declaração do diretor do escritório da Comissão Econômica para a América Latina e Caribe (Cepal) da Argentina, Bernardo Kosacoff, sobre a suposta invasão de produtos brasileiros no mercado de seu país. O representante da Cepal assegurou que a indústria argentina nunca poderá se recuperar "se continuar entregando o seu mercado para outros países". Na visão de Josué, devem ser adotadas medidas para garantir que a concorrência entre Brasil e Argentina seja equilibrada. Têxteis competitivosO presidente da Coteminas, que também possui fábrica na Argentina, disse que, se houver investimento em tecnologia e na expansão da capacidade industrial argentina, os têxteis portenhos podem ser muito competitivos. E, de quebra, eles se beneficiariam de um mercado maior, que é o brasileiro. "Para o próprio setor industrial argentino não interessa essa guerra comercial Brasil-Argentina", sentenciou Josué. O empresário acha que o Brasil deve dialogar com os seus parceiros do Mercosul. "Agora, o industrial argentino precisa acreditar na competitividade do seu país. E, se ele investir, certamente será competitivo."

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