Tiago Queiroz/Estadão
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Empresário do ramo educacional vai transformar casa de Edemar Cid Ferreira em escola

Janguiê Diniz, da Ser Educacional, vai usar o imóvel, que arrematou por R$ 27,5 milhões, para projeto de educação básica inspirado em ideias de Elon Musk, da Tesla

Fernando Scheller, O Estado de S.Paulo

20 de fevereiro de 2020 | 16h54

Fundador do Grupo Ser Educacional, um dos principais grupos educacionais do Nordeste, o empresário Janguiê Diniz vai transformar a casa do empresário Edemar Cid Ferreira, ex-dono do Banco Santos, que ele arrematou nesta semana por R$ 27,5 milhões, em evento da D1 Lance Leilões, em uma escola de educação básica. Segundo o Instituto Êxito, responsável pelo projeto, a proposta é de um "centro de ensino de excelência, focado no desenvolvimento da criatividade, da inovação e do empreendedorismo".

O projeto seguirá a linha da Ad Astra School, desenvolvido pelo fundador da Tesla Motors e da Space X, Elon Musk. Segundo o Insituto Êxito, que foi inaugurado em São Paulo no ano passado, a casa de quase 8 mil metros de área construída revelou-se o imóvel ideal para a escola. O projeto arquitetônico é de Ruy Ohtake, com paisagismo de Roberto Burle Marx. "O que era um templo de ostentação se tornará um tempo de educação", disse Diniz, em nota.

“Eu tive uma base educacional diferente do modelo das famílias de classe média ou alta, pois precisei enxergar nos estudos, com esforço extremo, e no empreendedorismo as saídas para a minha mudança de vida. Hoje, após o resultado que a educação e o empreendedorismo me deram, eu quero ir além e isso só será possível começando pela educação de base", continuou o empresário, em comunicado.

O Instituto Êxito afirma ter a filosofia de que, independentemente da classe social e econômica, qualquer pessoa pode transformar suas ideias em ações que mudem e melhorem a realidade e a comunidade na qual vive. O instituto, sem fins lucrativos, quer revelar "talentos escondidos e boas ideias a serem impulsionadas".

Ostentação

A reportagem do Estadão visitou o imóvel em uma das tentativas de venda, em 2017. Instalada em terreno de 12 mil m², a residência inclui facilidades como duas piscinas – uma coberta e outra ao ar livre –, uma adega para  5 mil garrafas de vinho, duas bibliotecas (com coleção de livros de arte incluída). Alguns objetos de arte e móveis ainda restam na casa. Só a mesa de jantar de 24 lugares teria custado, na época da aquisição, US$ 350 mil (mais de R$ 1 milhão).

Manter um imóvel dessa magnitude não é fácil nem barato. Desde a expulsão de Edemar, há oito anos, a residência – que, em um certo período, contabilizava quatro moradores e 54 empregados –, custou milhões à massa falida. Isso porque o projeto do arquiteto Ruy Ohtake já incluía, 20 anos atrás, a automação de persianas e um sistema completo de ar-condicionado – luxos que elevaram a conta de luz a R$ 100 mil por mês. 

Além dos gastos fixos salgados, um eventual novo dono também terá de arcar com uma reforma, já que os problemas se proliferam entre corredores de mármore e escadarias suntuosas: há pisos de madeira podres, lâmpadas caídas e portas que já não abrem e nem fecham.

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