Empresário espera queda de 3% no próximo Copom

O empresário Paulo Skaf, presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit), afirmou que o governo precisa acreditar nas medidas que ele próprio tomou para deter a inflação e adotar uma posição ousada na reunião da semana que vem do Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom), reduzindo em três pontos percentuais a taxa de juros básicos (a Selic). Entrevistado no programa Espaço Aberto, da Globo News, ele defendeu uma queda mensal nos juros, com a taxa chegando ao final do ano entre 15% e 16%, bem como a redução no empréstimo compulsório. Com isso, segundo acredita, o País ingressará no crescimento econômico sustentado, com a geração de empregos e o aumento da massa salarial dos brasileiros.O presidente da Abit também quer uma política conseqüente em relação ao câmbio. "Nós temos de ter um câmbio que não desestimule as exportações. O câmbio não pode ser bom para o exportador, nem para a indústria, mas para o Brasil. Para gerar grandes superávits comerciais, o Brasil precisa ter um câmbio que estimule as exportações", defendeu.A recuperação do setor têxtilPaulo Skaf acentuou que seu setor, depois de passar por grandes problemas no início da década passada, entrou em franco progresso, sobretudo na produção de algodão. "Há quatro, cinco anos, nós produzíamos 300 mil toneladas, para um consumo de 800 mil. Desde o ano passado atingimos a autosufiência e hoje se exporta um pouco, se importa um pouco", revelou. Mas o grande avanço, segundo disse, ocorreu na parte fabril - fiação, tecelagem, malharia, confecções - o que transformou o Brasil num país altamente competitivo no setor. "Somos superavitários na cadeia do algodão, e este ano vamos gerar uns 800 milhões de dólares (para a balança comercial).Valor agregadoO presidente da Abit explicou que seu setor está agregando valor aos seus produtos, cuidando inclusive de fortalecer a imagem das marcas da produção nacional. "Em vez de exportamos fio de algodão a menos de um dólar (o quilo), exportamos uma calça a 10 dólares. Se a marca ficar conhecida, podemos vender esta calça a 20, 30 dólares." Skaf ressaltou, ainda, que, no setor têxtil, basta 2 mil dólares de investimento para a geração de um emprego.

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