Empresário pede ''corte radical'' da taxa básica de juro

Pedro Camargo Neto, presidente da Abipecs, discorda da afirmação de Henrique Meirelles de que o ?câmbio é livre?

Célia Froufe, O Estadao de S.Paulo

06 de junho de 2009 | 00h00

Às vésperas da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, o presidente da Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora de Carne Suína (Abipecs), Pedro Camargo Neto, pediu uma "redução radical nos juros" para estancar o derretimento do dólar ante o real. Essa redução radical significaria, na prática, uma taxa nula de juros reais (que já desconta a taxa de inflação futura). Assim, se a perspectiva é a de que a inflação será de 4% no ano, este deveria ser o patamar da Selic.No mercado financeiro, o debate é majoritariamente em torno de um corte de 0,50 ponto porcentual ou 0,75 ponto porcentual da taxa básica. A decisão sai na quarta-feira. "Se o Brasil hoje está com uma economia mais bem preparada e mais próxima dos países desenvolvidos, também deveria ter o juro real mais próximo", disse Camargo Neto.Para ele, a medida é necessária para evitar que o dólar permaneça abaixo dos R$ 2,00, nível impraticável para o setor produtivo e, principalmente, para a agricultura, disse. O presidente da Abipecs discordou do teor da entrevista publicada ontem pelo Estado com o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, que defendeu a manutenção dos regimes de câmbio flutuante e de metas de inflação como "sucesso inquestionável". Camargo Neto diz que não defende o abandono do sistema de metas nem deseja que o câmbio seja administrado, o que seria uma volta a uma experiência já fracassada no passado. A discordância diz respeito à correlação do juro com o câmbio. "Ele (Meirelles) vem e diz: ?o câmbio é livre?. Isso não é verdade porque o juro não é livre, o juro é ele quem fixa. E não tem economista que não vá concordar que câmbio e juro são atrelados, ainda que um mais forte e outro mais fraco", argumentou Camargo Neto.O empresário reclama que o setor produtivo sofre com o dólar enfraquecido. "Não se vai consertar tudo o que está errado no Brasil com o câmbio. Mas o BC tem a política de juros, e os juros influenciam o câmbio, não há como negar isso", disse.Para ele, a Selic elevada nada mais é do que um forte atrativo de capital especulativo. Não só do exterior, mas também interno, já que parte dos brasileiros deixaria seus recursos estacionados no lugar de aplicá-los na produção do País.Ele não teme a volta da inflação com a queda radical do juro básico. "Não vejo (esse risco). Acho que o risco que a gente não pode correr é de uma redução de atividade econômica." Apesar de incomodar-se com o câmbio na casa de R$ 1,90, o presidente da Abipecs avalia que, independentemente da cotação, as exportações agrícolas brasileiras não sofrerão tanto em 2009 porque já foram contratadas há mais tempo. O problema, segundo ele, virá no futuro.

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