Werther Santana|Estadão
Werther Santana|Estadão

Empresário quer ‘virar a página’ na economia

Líderes de empresas afirmam que impeachment mostrou que há possibilidade de quebrar o impasse político que trava a economia

Cleide Silva, Fernando Scheller, Lucas Hirata e Mateus Fagundes, O Estado de S.Paulo

03 Dezembro 2015 | 21h19

O início do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff é visto como uma passo em direção à solução do impasse econômico que o Brasil viveu ao longo de 2015, de acordo com empresários ouvidos pelo Estado. Com a “guerra branca” entre Dilma e o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, transformada em embate declarado, a expectativa é que a economia possa finalmente voltar aos trilhos.

Segundo o presidente da Riachuelo, Flávio Rocha, o mercado quer um desfecho rápido da situação para começar a fazer projetos concretos. “A leitura que tenho do mercado como um todo subindo (a Bolsa ganhou mais de 3% nesta quinta-feira, 3) é que todo mundo está esperando que se vire essa página”, diz o empresário, dono da terceira maior rede de moda do País.

Para Rocha, o impeachment deve ocorrer somente se houver embasamento jurídico. Em sua opinião, porém, só uma mudança de governo vai trazer nova matriz econômica para o País, realmente comprometida com a economia de mercado. “Acho que ainda corremos o risco de termos três anos ruins. Sou pessimista com o atual pensamento econômico, mas muito otimista com a mudança.”

Tudo parado. O presidente do Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores (Sindipeças), Paulo Butori, afirma que a definição do processo de impeachment já é, por si só, um bom resultado. “Precisávamos de uma definição, pois tudo estava parado”. Segundo ele, “agora o processo está andando e é possível ver uma luz no fim do túnel, pois há um prazo para se definir se a presidente fica ou sai”.

Desde 2014, o setor de autopeças demitiu 55 mil trabalhadores, 25% de sua mão de obra há dois anos. Butori diz que novos cortes podem ocorrer em 2016 se a situação econômica continuar se agravando. Mas, se houver sinais de melhoras, o quadro ficará estável. O setor opera hoje a 60% de sua capacidade.

Já o presidente do Sindicato da Habitação de São Paulo (Secovi-SP), Claudio Bernardes, considera que os investimentos só voltarão a crescer quando a questão do impeachment estiver resolvida. Para ele, é importante que os desdobramentos políticos ocorram o mais rápido possível, de modo a iniciar os ajustes necessários para as contas nacionais, o que poderá destravar os investimentos.

O presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Luiz Moan, diz que a entidade não é favorável nem contra o impeachment. “Acreditamos que as instituições estão funcionando e não há nada fora do arcabouço institucional.” Para ele, a crise política está corroendo a economia e a sociedade civil deve se unir para buscar saídas para a situação.

A declaração de Moan foi feita em evento em São Paulo que reuniu empresários e sindicalistas em torno de uma agenda de desenvolvimento. “Nosso movimento mostra que entidades com ideologias diferentes conseguiram buscar uma agenda pró-Brasil em torno de uma pauta comum”, diz Moan.

 

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