Empresários ainda têm esperanças, diz diretor da Fiesp

Os empresários estão desencantados, mas não pessimistas, com a conjuntura política e econômica que marca o sétimo mês no governo Luiz Inácio Lula da Silva. O diretor de Competitividade da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Mário Bernardini, diz que ainda há esperanças na ´turma de Brasília´. Depois de ser gerido quinze anos pelo Ministério da Fazenda e pelo Banco Central "o governo tem de vir a público e dizer ´ok, agora vamos arregaçar as mangas e tratar da produção, da geração de empregos, das desigualdades´", disse o empresário. "Afinal, foi para isso que o Lula foi eleito."Bernardini admitiu que sete meses de governo são, de fato, pouco tempo para resolver problemas que têm raízes nas políticas adotadas ainda no governo Collor, quando teve início o processo de transferência de renda do setor produtivo para o sistema financeiro. "O que mais incomoda, ainda assim, é que não há sinais de mudanças no horizonte", afirma. Os empresários vêem o Banco Central com muita desconfiança. "Desconfiamos que as informações do governo sejam de má qualidade e já superadas. O mundo real é muito mais diferente do que o BC tem idéia. É uma ilha dentro de uma ilha, que não percebe o que acontece no mundo real", criticou.Para ele, essa crise é decorrência de uma falta de sintonia entre o mundo da produção e o mundo de quem ganha com os juros. "Nesses últimos anos, os assalariados foram onerados, as empresas sangradas por meio de tributos e altos juros, houve queda generalizada de renda, aumento de dívidas, enfim, o mundo real, da produção, não tem nada a ver com o BC", completou.

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