Empresários apóiam discussão sobre redução de jornada

Principais representantes das micro, pequenas e médias empresas do País definiram a proposta de redução da jornada de trabalho sem redução de salário tão polêmica quanto a criação da futura Área de Livre Comércio das Américas (Alca), mas necessária. A informação de que o governo iria propor a redução foi publicada hoje pelo jornal Folha de S. Paulo. O presidente do Sebrae-São Paulo, Alencar Burti, disse à Agência Estado que é necessário ver essa questão com certo cuidado, até porque há dois temas (reformas da Previdência e tributária) em pleno andamento. "Acho que, assim como a discussão da Alça, a idéia de reduzir a jornada de trabalho é uma proposta da qual não poderemos escapar, já que é necessário encontrar soluções para o problema do desemprego", disse Burti, pouco antes de participar, hoje do 19º Simpósio Latino-Americano da Micro, Pequena e Média empresa, que está discutindo em São Paulo a criação da Alca. Burti disse, no entanto, que, antes de entrar nessa discussão, ser importante saber como é que as reformas da Previdência e a tributária incidirão sobre os salários. "Dentro desse contexto, é importante esperar como é que essas reformas estruturais vão mexer com a relação capital/trabalho. Caso contrário, vamos perder o rumo", alertou Burti. De acordo com ele, é importante que essa proposta seja discutida num segundo momento. O presidente do Sebrae, Silvano Gianni, disse, por sua vez, que a proposta de redução de jornada de trabalho que está sendo incluída no Plano Plurianual (PPA) do governo federal será bem-vinda no Fórum Nacional do Trabalho, onde a sociedade, o governo e as empresas poderão discutir exaustivamente o tema. "Se a proposta for boa ou não, será o Fórum quem vai decidir", disse o presidente do Sebrae. Para Gianni, uma eventual redução da jornada de trabalho sem a redução dos salários resolveria apenas uma das três partes do problema do desemprego no País. A segunda parte precisa ser resolvida com a expansão da economia, de acordo com ele. Mas, acrescentou Gianni, "a terceira parte do problema (do desemprego), que atinge as micro, pequenas e médias empresa, que responde por 45% do emprego com carteira assinada e amarga cerca de 40 milhões de empregos informais, exige uma lei complementar que dê tratamento diferenciado ao setor". ElogiosPor isso, acrescentou Gianni, depois de aprovada a reforma tributária, o setor precisará mesmo dessa lei. Gianni, que abriu o Simpósio sobre a Alca, elogiou sem nenhum constrangimento o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva que, de acordo com ele, em apenas oito meses colocou na mesa de discussões uma série de temas importantes para o País, entre eles as reformas da Previdência e a tributária e, agora, essa da redução de jornada de trabalho sem redução de salários. "Vivemos um bom momento para discutir esses assuntos, já que temos um presidente forte e com cacife para isso", disse Gianni.

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