Sergio Castro/ Estadão
Sergio Castro/ Estadão

Empresários apostam na fruticultura

Clima de Cristalina favorece produção de frutas

Renée Pereira (Texto); Sérgio Castro (Fotos), O Estado de S.Paulo

02 de janeiro de 2016 | 19h47

Mineiro de Capinópolis, Edson Carlos da Silva soube como ninguém aproveitar as oportunidades que Cristalina lhe deu. Chegou à cidade há 23 anos como funcionário de uma cooperativa de agropecuária e hoje é um empresário de sucesso na região, com negócios no comércio, na indústria e na agricultura.

Além de uma loja de insumos agrícolas, inaugurada em 2003, ele é dono de uma fábrica de ração e de sal mineral, onde emprega cerca de 50 pessoas. Mas atualmente é outra atividade que tem tomado o tempo e o gosto de Silva.

Há sete anos, ele e outros empresários locais, decidiram investir numa nova empreitada para aproveitar o clima favorável de Cristalina: a fruticultura. Numa área de dez hectares, eles iniciaram a plantação experimental de cinco culturas diferentes: pêssego, uva, maça, atemóia e goiaba. A produção local tem sido vendida para grandes redes de supermercados da região.

Hoje, além da área experimental, ele tem, sozinho, 15 hectares em fase de cultivo. Nossa ideia é tornar Cristalina um local de várias culturas de frutas, diz Silva, que tem conseguido apoio do Instituto Agronômico de Campinas para desenvolver o negócio na região. Ele conta que não é uma tarefa fácil convencer outros agricultores que sempre cultivaram soja e milho, por exemplo, a destinar um espaço para as frutas. Mas, aos poucos, temos tido retorno positivo. Isso porque, embora seja uma cultura de custo mais elevado, as frutas têm maior valor agregado. Alguns agricultores já reduziram parte da lavoura de soja para plantar frutas.

Represas. Segundo ele, numa pequena área consegue-se ter um resultado bom do ponto de vista financeiro. Pelos cálculos de Silva, cada hectare rende R$ 20 mil. Por isso, o objetivo é atrair pequenos e médios agricultores para a fruticultura. Potencial a região tem bastante. Com a proximidade das represas de Furnas, estatal do setor elétrico que detém várias hidrelétricas na região, criou-se dezenas de assentamentos em Cristalina e redondezas.

Na época da construção das usinas, o governo comprou várias áreas na região para reassentar as famílias que foram desalojadas. Isso criou um ambiente ideal para o desenvolvimento da fruticultura na cidade, afirma o pesquisador do Instituto Agronômico de Campinas, Afonso Peche Filho.

Segundo ele, Cristalina tem todo potencial para se tornar um grande produtor de frutas no Brasil. Além do clima ameno, que permite até a produção de uvas, a questão logística é um ponto positivo para o município. Cristalina tem grandes cidades no seu entorno. De um lado Brasília e do outro Goiânia. Isso ajuda na comercialização.

O empresário Marcio Braga Resende, dono de uma loja de insumos agrícolas, também está no grupo de produtores que iniciaram os experimentos na fruticultura. Hoje o mineiro do município de Luz tem 46 hectares de plantação de manga e vende para os Estados de Goiás, Brasília e Rio de Janeiro. Para a próxima safra, o Rio já pediu preferência nas vendas, comemora ele.

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