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Empresários argentinos criticam 'ingerência estatal'

Associação de Empresas Argentinas acusa Kirchner de realizar "intervenções públicas discriminatórias"

Marina Guimarães, da Agência Estado,

17 de agosto de 2009 | 13h44

A Associação de Empresas Argentinas (AEA) criticou duramente o que chamou de "ingerência estatal indevida" da presidente Cristina Kirchner na economia local. Em nota publicada no final de semana, a AEA acusou o governo de realizar "reiteradas intervenções públicas discriminatórias e injustificadas em diversos âmbitos da atividade privada". O documento afirma que tais intervenções "desestimulam os investimentos nacionais e estrangeiros, lesionam o dinamismo da economia, atentam contra o desenvolvimento econômico e social e comprometem a vigência de preceitos constitucionais".

 

Com uma postura invariavelmente ponderada e discreta, a AEA não tem o hábito de emitir documentos críticos ao governo. Mas, nos últimos quatro meses, essa foi a quarta nota da entidade com advertências e julgamentos contra as atitudes "intempestivas" do governo, como a estatização dos fundos de aposentaria e pensão e de várias empresas (Aerolíneas Argentinas, Correios, Águas Argentinas etc). No entanto, a AEA não havia sido ainda tão severa em suas expressões, como nesse último documento, que foi uma reação à intervenção do governo nas transmissões das partidas de futebol na Argentina.

 

O presidente da Associação de Futebol Argentino (AFA), Julio Grondona, rompeu um contrato de US$ 69 milhões por ano com a empresa Televisão Satelital Codificada (TSC) e está negociando um acordo com o governo Kirchner de US$ 156 milhões. A TSC é integrada por duas empresas, a Torneios e Competições (TyC) e o grupo Clarín, integrante da AEA. "A intervenção estatal arbitrária no vínculo entre a AFA e a empresa TSC é um exemplo particularmente grave deste de ingerência, já que provoca a ruptura de um contrato entre partes privadas", afirma a AEA em sua nota.

 

Cristina e seu marido, o ex-presidente Néstor Kirchner, travam uma briga com o grupo Clarín em torno dos negócios do setor de telecomunicações definido como Triple-Play (pacote de serviços de telefonia, banda larga de internet e TV). A ruptura do contrato entre a AFA e a TSC é mais um capítulo dessa briga. Os dois primeiros documentos emitidos pela AEA, em meados de maio, foram motivados pela estatização de duas empresas argentinas do Grupo Techint por parte do governo da Venezuela com a anuência da Casa Rosada. O terceiro foi publicado logo após a derrota do governo nas eleições parlamentares de junho e apresentava 12 propostas para "recuperar a economia argentina".

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