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Empresários argentinos esperam mais violência, diz pesquisa

O empresariado argentino considera que a onda de violência social continuará aumentando nas próximas semanas. Isso é o que indica uma pesquisa da prestigiada Fundação Mercado, que aponta que 71,4% dos empresários acreditam que os conflitos sociais continuarão e até poderão piorar, com mais violência. Somente 28,6% consideram que a conflitividade social permanecerá nos atuais níveis.Nos últimos dias ressurgiu o fantasma de um levante popular generalizado, depois que na quarta-feira oficiais da polícia assassinaram dois desempregados de 21 e 25 anos, que protestavam contra a política econômica do governo do presidente Eduardo Duhalde. Os protestos ocorreram perto dos limites da capital argentina, mas do lado do município de Avellaneda, um dos principais da província de Buenos Aires. O temor de uma revolta estava em estado de hibernação desde dezembro do ano passado, quando uma série de protestos populares, somados aos saques a comércios e supermercados, e violentos choques com as forças de segurança, causaram a queda do governo do ex-presidente Fernando De la Rúa (1999-2001).Os empresários também temem que os conflitos prejudiquem a vinda de investimentos para a Argentina, já que o país se tornaria socialmente inviável. Com mais incertezas sobre o futuro do país, a população diminuiria mais ainda seu consumo, eliminando qualquer poder de atração para a realização de negócios. Além disso, os empresários temem que os eventos violentos possam dificultar as negociações com o FMI. Para 59,6% dos pesquisados, os conflitos geram mais desconfiança no exterior.Segundo a pesquisa, 85,1% dos empresários afirmam que as mortes da quarta-feira, somadas aos 90 feridos que a repressão policial causou, vão enfraquecer o governo Duhalde, atingindo a transição política. O presidente Duhalde definiu a morte dos dois desempregados como uma "caçada atroz". Segundo ele, "as famílias argentinas estão de luto". Duhalde prometeu que neste caso não haverá impunidade: "uma democracia não toleraria que acontecimentos como este sejam encobertos". Além disso, o presidente pediu que as eventuais testemunhas das mortes não tenham medo e que prestem depoimento na Justiça.Com esta postura, Duhalde deu uma guinada na estratégia do governo, já que no próprio dia das mortes, diversos de seus assessores haviam declarado que suspeitavam que os assassinatos haviam sido realizados por outros piqueteiros, de forma a colocar a culpa na polícia. A indignação com os assassinatos aumentou depois que foram divulgadas diversas fotos que mostravam a polícia atirando à queima-roupa nos manifestantes, que estavam feridos no chão. Para evitar um novo escândalo, que enfraqueceria o governo mais ainda, hoje à tarde renunciou toda a cúpula da polícia da província de Buenos Aires.Com estas mortes, Duhalde volta a entrar em choque com "La Bonaerense", a temida polícia da província de Buenos Aires, famosa pela sua ferocidade e por seu envolvimento com o tráfico de drogas, prostituição e a cobrança compulsória de "licenças" para que empresários e comerciantes possam trabalhar sem serem incomodados pelos próprios policiais.Além disso, "La Bonaerense" esteve envolvida na parte tática do atentado à associação beneficente judaica AMIA, em 1994, no qual morreram 85 pessoas. Este corpo policial, com mais de 40 mil integrantes (mais do que o próprio exército argentino) também esteve envolvido no assassinato do fotógrafo José Luis Cabezas. A morte de Cabezas, em 1997, causou complicações políticas a Duhalde, na época governador da província de Buenos Aires. Mas posteriormente, com a descoberta dos assassinos, além do envolvimento do empresário Alfredo Yabrán, acabaram complicando o cenário político para Carlos Menem, na época presidente e amigo do empresário. Com o escândalo nas costas, Menem não conseguiu apoio para modificar a Constituição Nacional, e assim voltar a se candidatar à presidência do país. O cadáver de Cabezas também foi um peso para Duhalde, que foi derrotado nas eleições presidenciais de 19999. Em declarações ao jornal La Nación, Duhalde ilustrou seus temores: "não gostaria que este fosse outro caso Cabezas". O governo Duhalde considera que existe um complô que pretende derrubá-lo. Segundo o porta-voz, Eduardo Amadeo, o governo possui "informações" sobre uma eventual escalada de violência que estava sendo organizada por grupos de piqueteiros. As informações, afirmou, serão enviadas à Justiça.A Central dos Trabalhadores Argentinos (CTA) e grupos de piqueteiros convocaram para a quarta-feira da semana que vem uma nova jornada de protestos "contra a violência e o modelo econômico que exclui a população".

Agencia Estado,

28 de junho de 2002 | 19h01

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