Empresários brasileiros são mais otimistas

Pesquisa mostra que diretores financeiros brasileiros estão mais confiantes no desempenho da economia do que os colegas da Ásia, da Europa e dos EUA

LUIZ GUILHERME GERBELLI, O Estado de S.Paulo

25 de setembro de 2012 | 03h05

Os empresários brasileiros estão mais otimistas com a economia do que os seus pares no restante do mundo. O otimismo dos diretores financeiros (CFOs) brasileiros é de 49%, segundo a pesquisa Panorama Global dos Negócios realizada pela Duke University, Fundação Getúlio Vargas (FGV) e CFO Magazine. Na América Latina, o otimismo é de 38% e, na sequência, estão Ásia (33%), Estados Unidos (22%) e Europa (20%).

"O Brasil e a América Latina em geral estão muito mais otimistas do que o resto do mundo. Essa confiança elevada está ligada ao crescimento futuro da economia do Brasil", afirma Gledson de Carvalho, professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e um dos autores da pesquisa.

Para os próximos 12 meses, os empresários brasileiros esperam um crescimento do emprego de 4,2%. Já os salários pagos deverão ter alta média de 7,6%.

Preocupação. Se há otimismo em relação ao desempenho da economia, o mesmo não ocorre com a avaliação do funcionamento da Justiça no Brasil e na América Latina. Para 68% dos diretores financeiros brasileiros e latino-americanos, o sistema judiciário atual é um entrave para o desenvolvimento dos negócios. Nas demais regiões pesquisadas, esse índice é de 30%.

"O problema do sistema judiciário faz parte do chamado custo Brasil", diz Klenio Barbosa, também professor da FGV e responsável pelo estudo. Os problemas apontados são má qualidade dos julgamentos, incertezas quanto aos procedimentos adotados, demora e custo.

O levantamento também identificou que os empresários brasileiros estão mais suscetíveis a desaceleração das economias europeia e chinesa do que o restante da América Latina. Segundo a pesquisa, 64% das empresas brasileiras estão sendo prejudicadas pelo baixo crescimento da Europa - na América Latina esse medo é de 52%.

Em relação ao desempenho da economia asiática, a preocupação com os efeitos de um crescimento menor é de 47% no Brasil e de 40% na América Latina.

"A Ásia começa a dar sinais de um crescimento mais baixo e isso causa uma preocupação grande no Brasil porque somos grandes produtores de commodities, e os países asiáticos são um dos grandes comparadores", diz Carvalho.

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