Empresários começam a vislumbrar benefícios com Alca

Os empresários começam a acreditar que a criação da Área de Livre Comércio das Américas (Alca) pode trazer benefícios para o Brasil. Reunidos no I Fórum Alca, promovido pelo Conselho Regional de Economia (Corecom-SP), representantes do setor privado concordaram publicamente que a indústria e o setor de serviços brasileiros têm muito a ganhar com o livre comércio continental.A Alca está prevista para entrar em vigor em janeiro de 2006. Mas cresce a confiança entre os empresários que os setores mais sensíveis à competição externa, como químicos e eletroeletrônicos, terão cerca de 13 anos para se preparar três de negociação e dez de desgravação tarifária. "Agora há mais clareza sobre a Alca. Esse é um prazo bastante razoável", admitiu o diretor da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e vice-presidente da Associação Brasileira de Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Mario Mugnaini.Roberto Mangels, da Mangels Industrial e presidente do Conselho da Câmara Americana de Comércio (Amcham), disse que, a exemplo de sua própria empresa, "do setor de autopeças e de estrutura familiar, com tudo para sucumbir frente à concorrência externa, muitas empresas brasileiras têm condições de se estruturar para enfrentar a Alca. Subestimamos nossa capacidade de competição". A Mangels fatura, atualmente, cerca de R$ 350 milhões ao ano. "Temos de sair para o ataque. O primeiro passo é eliminarmos as barreiras que nós mesmos nos impomos", concluiu.Paulo Skaf, presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit), um setor que só tem a ganhar com a Alca, lembra que nenhum empresário vai querer um acordo que cause desemprego. "Temos de transformar a Alca em uma oportunidade para gerar empregos. Se não tivermos mais acesso ao maior mercado importador do mundo, como vamos chegar aos US$ 100 bilhões de exportações", afirmou. Para o empresário, a participação do Brasil no mercado norte-americano é tão pequena, que é quase um novo mercado a ser explorado. "Se os EUA fossem um mercado aberto, não precisaríamos da Alca. Mas o fato de haver protecionismo torna as negociações imprescindíveis. Não há porque achar que é impossível costurar um bom acordo", disse.Questões estruturaisMugnaini destacou que a Alca vai pressionar para a resolução de graves problemas que afetam a competitividade brasileira. "É possível competirmos na Alca, sim. Mas sem fazermos as lições de casa, será complicado", afirma o empresário. Mugnaini lembrou dados de uma pesquisa da Fiesp segundo a qual o Brasil perderia US$ 1 bilhão com a Alca, se não resolver problemas como tributos, infra-estrutura, tecnologia e educação. "Lutar com essas armas não dá", ressalta. Sem resolver questões estruturais, o Brasil pode perder US$ 1 bilhão ao ano, segundo estudo da Fiesp divulgado no primeiro semestre.De forma geral, os setores mais competitivos da economia brasileira são têxtil, siderurgia, autopeças, embalagens, brinquedos, aviões, bebidas, armamentos, cimento, papel e celulose e alumínio. Na ponta contrária, os setores com maior dificuldade de ganho na Alca são máquinas e equipamentos, químicos, móveis e componentes eletrônicos.

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