Empresários compram negócios do Grupo RBS em Santa Catarina

Lírio Parisotto e Carlos Sanchez pagaram R$ 800 milhões por emissoras de TV, estações de rádio e jornais do grupo gaúcho

O Estado de S.Paulo

07 de março de 2016 | 16h52
Atualizado 07 de março de 2016 | 21h24

O Grupo RBS está deixando o mercado catarinense depois de 37 anos atuando no Estado. A empresa gaúcha anunciou nesta segunda-feira, 7, a venda de todas as suas operações em Santa Catarina - que incluem afiliadas da TV Globo, emissoras de rádio e jornais - aos empresários Carlos Sanchez e Lírio Parisotto. O valor do negócio não foi revelado, mas o Estado apurou que o montante pode chegar a R$ 800 milhões.

Os compradores das operações da RBS em Santa Catarina são dois empresários com tradição em outros segmentos. De acordo com comunicado divulgado pelo grupo gaúcho, eles se uniram a outros investidores - não revelados - para fazer a aquisição. 

O paulista Sanchez é conhecido no País como o “rei dos genéricos”. Ele é dono do laboratório EMS, que é líder neste segmento de remédios no mercado brasileiro. Já o gaúcho Parisotto é fundador da Videolar (ainda mais conhecida como fabricante de fitas VHS e DVDs, mas hoje atuando no setor petroquímico, rebatizada como Videolar-Innova) e atua como um investidor minoritário ativista. Ele teve conflitos, por exemplo, com a administração de companhias como a Celesc (empresa de energia do Estado de Santa Catarina) e a Usiminas. 

Na Usiminas - siderúrgica que hoje passa por sérias dificuldades financeiras e corre risco de pedir recuperação judicial -, Parisotto se uniu a outros pequenos acionistas e chegou a tentar assumir a presidência do conselho de administração, mas acabou barrado. Marcelo Gasparino, ligado ao empresário, acabou ficando no posto. Parisotto também mantém um fundo de investimentos próprio - o LPar - e é um forte investidor em ações no mercado brasileiro.

O negócio entre os empresários e a RBS foi alinhavado ao longo dos últimos meses e, segundo fontes, recebeu o aval da Rede Globo para ser concretizado. Além das afiliadas da emissora, o grupo gaúcho controlava rádios e jornais no Estado, como Diário Catarinense, Jornal de Santa Catarina e A Notícia (este último sediado em Joinville, principal polo econômico catarinense).

A venda a Parisotto e Sanchez foi anunciada nesta segunda aos funcionários da RBS em Santa Catarina. O processo de transição dos negócios, segundo comunicado divulgado pelo grupo gaúcho, poderá levar até dois anos. A compra está sujeita à aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e demais órgãos reguladores.

Estratégia. Com a venda, a RBS passa a concentrar seus esforços de mídia no Rio Grande do Sul, onde o grupo empresarial foi fundado em 1957. No Estado, a empresa mantém títulos como o jornal Zero Hora, Rádio Gaúcha e a RBS TV, que controla afiliadas da Rede Globo. A empresa também tem um site que reúne a produção de suas diversas empresas, o ClicRBS.

Além dos negócios de comunicação, o grupo é também proprietário da e.Bricks, empresa de investimento digital com atuação no Brasil e nos Estados Unidos.

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