Empresários de Ilhéus temem prejuízos com Operação Persona

Região baiana teme ter sua imagem manchada por ser sede de empresas acusadas de cometer fraudes fiscais

Tiago Décimo, do Estadão,

17 de outubro de 2007 | 19h32

Proprietários e executivos das 57 empresas instaladas no Pólo de Informática de Ilhéus (BA), 458 quilômetros ao sul de Salvador, temem prejuízos por causa da crise de imagem que a região vem sofrendo desde o ano passado, por ser sede de empresas acusadas de cometer fraudes fiscais.  Em agosto de 2006, a Operação Dilúvio, deflagrada pela Polícia Federal, tinha como alvos quatro empresas do pólo, entre outras no Brasil. Na última terça-feira, durante a Operação Persona, também da PF, outras 14 indústrias da área estavam entre as citadas em investigações sobre fraudes. Três empresários teriam sido presos em Ilhéus - a PF não confirma a informação. "O estrago já está feito", garante o presidente do Sindicato das Indústrias de Aparelhos Elétricos, Eletrônicos, Computadores, Informática e Similares dos Municípios de Ilhéus e Itabuna (Sinec), Gentil Pires Filho. "Eu, mesmo, que sempre fiz questão de zelar pela minha imagem, tive meu nome arrolado entre os presos desta operação, sendo que nem abordado eu fui." De acordo com ele, "seria irresponsável" calcular o prejuízo financeiro que as seguidas operações da PF no local podem causar. "O impacto para a imagem, porém, é o pior do mundo", sentencia. "Mesmo que a empresa mais idônea do planeta esteja instalada aqui, acaba tendo sua imagem arranhada simplesmente por pertencer ao pólo." Segundo Pires Filho, o pólo responde pela produção de 1,5 milhão de computadores por ano, cerca de 20% da produção formal de aparelhos no País. "Temos diversos clientes que, por motivos óbvios, não querem ter seus nomes associados a fraudes, por isso o prejuízo tende a ser grande", argumenta. Apesar disso, ele diz não saber de empresas que tenham manifestado interesse de deixar o pólo. De acordo com dados do Secretaria da Fazenda do Estado, o pólo - criado em 1995, no meio da crise da produção cacaueira na região, como alternativa de atração de investimentos para o sul baiano - teve faturamento, em 2006, de R$ 1,97 bilhão. A previsão é de crescimento de 15% este ano.  O presidente da Sinec concorda que os empresários que estejam cometendo crimes contra os cofres públicos têm de ser punidos. "Claro que, para nós, é melhor que quem estiver devendo algo, pague por isso, de acordo com a lei", afirma. "O que não se pode é achar que todas as empresas do pólo estão envolvidas em fraudes." Pires Filho acredita, porém, que a maioria das empresas investigadas pela Operação Persona seja inocente. "O que pode estar acontecendo é que os empresários idôneos daqui estejam comprando componentes de informática de indústrias estrangeiras acusadas de cometer fraudes, sem saber disso", especula. "Sei de alguns casos assim, mas é fato que isso não faz deles criminosos."

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