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Empresários defendem integração efetiva do bloco

Líderes do setor privado vão entregar aos presidentes do Brics documento pedindo, entre outras coisas, a derrubada de barreiras ao comércio

João Villaverde, Lisandra Paraguassu, Adiana Fernandes, O Estado de S.Paulo

15 de julho de 2014 | 02h03

FORTALEZA - Os empresários brasileiros, russos, indianos, chineses e sul-africanos querem integração efetiva e a derrubada de barreiras não convencionais existentes entre os países do Brics para comércio e investimentos.

Em documento, obtido com exclusividade pelo Estado e que será entregue aos presidentes do bloco hoje, os líderes do setor privado também pedem maior facilidade para que bancos dos países do grupo se instalem nos demais membros do bloco, para financiar exportações e investimentos, liberalização de vistos, aceleração do banco do bloco e harmonização de padrões técnicos.

Entre as barreiras não convencionais estão, por exemplo, as dificuldades para que a receita federal russa realize o desembaraço de produtos, sem que haja uma regra clara, ou as frequentes indecisões dos portos chineses em acelerar a entrada de bens e mercadorias no país.

"O Brasil não vai permitir a compra de terras por estrangeiros, nem a China abrirá mão de deter pelo menos 51% de qualquer empreendimento estrangeiro lá, por exemplo, mas questões que hoje diminuem o ímpeto das exportações entre nós podem ser derrubadas com força política de cada líder em seus países", disse um empresário de uma grande companhia de commodities, presente ontem no primeiro dia de reunião do Brics, no centro de eventos de Fortaleza.

Os empresários defendem também a criação de um sistema de troca de moedas diretamente pelos cinco países do grupo para facilitar os negócios. Segundo o presidente executivo da Marcopolo e presidente do Conselho Empresarial do Brics para o Brasil, Rubens de la Rosa, essa possibilidade facilitaria o custo de transação. "Se encontrarmos um preço equivalente para um produto, para que trocar (a moeda)?"

Aduana. Um empresário, do ramo de alimentos, afirmou que a entrada de seus produtos na Rússia depende do sinal verde de "alguns poucos" funcionários da alfândega, e que a negociação não é simples. Na relação com a Índia, que é pequena, o discurso dos empresários aos governantes é que "há aparente pouca organização".

"Um entendimento entre os presidentes, especialmente agora em época de dificuldades no comércio exterior, pode criar uma espécie de 'passe livre' para empresas do grupo", afirmou um técnico do governo brasileiro. A ideia do "passe livre" é defendida pela indústria brasileira, representada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Vendas. De acordo com a CNI, as exportações brasileiras ao Brics representavam 14% do total em 2008, quando o bloco foi formalmente criado, e passaram para 21% no ano passado. "É importante estimular não só as exportações, mas principalmente os investimentos entre os países", afirmou Robson Andrade, presidente da CNI.

"As economias do Brics estão mais lentas no crescimento", afirmou Ma Zehua, presidente da seção chinesa do conselho empresarial do bloco. Segundo ele, os países têm de conhecer melhor e priorizar a compra dos produtos do Brics.

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