Empresários deixam de lado Selic e atacam o juro final

O Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu ontem manter a taxa básica de juros da economia, a Selic, em 16% ao ano. As críticas do setor produtivo à manutenção da taxa foram mais brandas que de costume. O ataque mais duro veio desta vez contra o spread bancário ? diferença entre juros de captação e as taxas cobradas nos empréstimos."Se o BC não encontra espaço para reduzir a taxa básica, maior esforço deveria ser empenhado na questão do spread", diz a nota distribuída pelo presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Horácio Lafer Piva. O fato é que os bancos pagam aos investidores uma taxa para captar recursos. Nos Certificados de Depósitos Bancários (CDBs), por exemplo, o investidor recebe uma remuneração muito próxima à da taxa Selic, atualmente em 16% ao ano. Já os juros cobrados nos empréstimos para pessoa física ficam entre 80% e 120% ao ano, segundo pesquisa do Procon. A diferença entre as duas taxas é o chamado spread bancário. Trata-se do valor que as instituições repassam para os clientes como impostos, ágio que incorpora o risco de inadimplência e a margem de lucro."A decisão (de manutenção dos juros já era esperada e no momento parece ser justificada", declarou, em nota, a Associação Comercial de São Paulo (ACSP). Mas estranhou "a lentidão do governo" na implementação de medidas para diminuir o spread bancário. "O governo está agindo rápido só para aumentar os impostos." Mesmo entidades empresariais que criticaram a manutenção da Selic lembraram outros fatores que encarecem o crédito. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) afirma que, "juntamente com a elevação da carga tributária em 2004, a manutenção de juros elevados atua como inibidor da atividade produtiva, ocasionando danos permanentes ao processo de crescimento sustentado, ao criar dificuldades ao processo de investimento das empresas". A Central Única dos Trabalhadores (CUT) também cobrou a redução do spread, mas pediu coragem ao Copom para a retomada redução dos juros. "A decisão de não alterar a Selic demonstrou, mais uma vez, a insensibilidade do Copom frente à urgência de estimular as atividades produtivas e, por conseqüência, o crescimento do nível de emprego."

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