Empresários descartam que PIB de 2006 supere 4%

Os empresários não ficaram animados com o crescimento de 1,4% do Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro trimestre do ano, ante o último trimestre do ano passado, e de 3,4% sobre o mesmo período de 2005. É consenso que os números refletem uma melhora no mercado interno, beneficiado por algum crescimento de emprego e renda. Mas a indústria não considera que haja elementos suficiente para projetar um crescimento econômico acima de 4% neste ano.O presidente do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), Cláudio Vaz, diz que o dado veio dentro da expectativa, mostrando um desempenho melhor do mercado interno. Ele mantém a projeção de que o PIB deste ano crescerá entre 3% e 3,5%. Em outras palavras, a economia deve ter um comportamento mais fraco nos próximos trimestres."Temos observado que este segundo trimestre não está espetacular, salvo o setor sucroalcooleiro. Porém, o que vai definir o PIB do ano é o terceiro trimestre", comenta Vaz. Em 2005, o período entre julho e setembro foi o pior do ano para a indústria.O diretor do Departamento de Economia da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Francini, confirma que o papel da construção civil no crescimento do PIB da indústria na margem (1,7%) está diretamente ligado à melhora das condições de salário e emprego. Mesmo assim, o empresário também não se anima com o número e mantém a projeção de crescimento de 4% para o PIB neste ano, abaixo do número anualizado a partir dos dados do primeiro trimestre (5,7%). "Para a economia chegar aos 4%, a indústria tem de crescer pelo menos 6%", afirma Francini. Mas, na comparação com o mesmo período do ano passado, o PIB industrial cresceu 5%.Motivos para comemorarPara a Associação Brasileira da Indústria de Infra-estruturua e Indústrias de Base (Abdib), os números devem ser comemorados. No entanto, a entidade ressalta a necessidade de correção de problemas no ambiente interno de negócios, que têm limitado o crescimento da economia.A Abdib afirma que juros altos e inconsistência dos marcos regulatórios da infra-estrutura são as principais distorções que impedem uma expansão maior do PIB. O setor de infra-estrutura, de acordo com a Abdib, precisa de US$ 26,8 bilhões de investimentos ao ano para dar competitividade à economia brasileira. "No entanto, nossos números indicam que temos conseguido aplicar, entre recursos públicos e privados, pouco mais de metade disso", explica o vice-presidente da entidade, Ralph Lima Terra.A Confederação Nacional da Indústria (CNI) também comemorou o crescimento do PIB. "São dados auspiciosos porque, em termos anualizados, o crescimento do trimestre resulta em quase 6%, mas confio que o País cresça 4% este ano", disse por meio de nota à imprensa o presidente da entidade, Armando Monteiro Neto, que destacou o aumento de 1,7% na produção da indústria.Apesar de celebrar o resultado, Monteiro fez ressalva ao fato de que o País ainda cresce em ritmo mais fraco que outros países emergentes, como a Índia e a China. Segundo ele, o problema por trás disso seriam a elevada carga tributária e o aumento nos gastos públicos, entre outros problemas estruturais.

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