Empresários do comércio estão mais confiantes que consumidores

A recuperação da confiança dos empresários tem implicações diretas para a atividade

O Estado de S.Paulo

28 de março de 2017 | 03h00

O Índice de Confiança do Empresário do Comércio (Icec), da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), atingiu 99,9 pontos em março, maior nível em dois anos. O indicador não só encostou nos 100 pontos que separam os campos positivo e negativo, como cresceu 6,4% em relação a fevereiro e 23,6% comparativamente a março de 2016. É um indício de que os comerciantes estão menos pessimistas com a situação presente e mais otimistas com a situação futura, em contraste com as famílias.

A recuperação da confiança dos empresários tem implicações diretas para a atividade. Significa maior disposição de contratar pessoal e de investir, com reflexos positivos para a economia. Os comerciantes refletem, em especial, as expectativas de queda da inflação, que permite preservar o poder de compra dos salários, e de queda dos juros, favorecendo a redução do custo de capital e as compras a prazo dos consumidores, enquanto reduz o interesse das classes mais capitalizadas pelos juros pagos pelos bancos aos aplicadores.

Um dos subíndices do Icec, o Icaec, que avalia as condições correntes, alcançou 68,2 pontos em março, avanço de 16,7% em relação a fevereiro e de 54,4% em um ano. Embora continue no campo negativo, o item que mais cresceu foi o que avalia a percepção com a melhora da economia (+29,9% em relação a fevereiro e +125,6% comparativamente a março de 2016).

A recuperação do Icec foi liderada pelo indicador de expectativas, com 147,6 pontos em março, alta de 4% em relação a fevereiro e de 20,2% em relação a março de 2016. Os empresários acreditam mais no setor em que atuam e nas próprias empresas. É improvável que se repita a situação de 2016, quando milhares de empresas fecharam as portas.

A liberação das contas inativas do FGTS também foi mencionada pelos empresários do comércio para justificar a melhora das expectativas. Mas o processo de recuperação, enfatizaram, não será curto, por causa do desemprego e da postura cautelosa do consumidor. Um bom indício disso está na Intenção de Consumo das Famílias (ICF), da CNC, de 78,2 pontos em março, apenas 1,4 ponto melhor do que em fevereiro.

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